terça-feira, 14 de março de 2017

Port wine in european menus: 1884 - 2016



    It takes place in the entrance of the IVDP, the interesting, curious and original exhibition "Port wine in European menus 1884 - 2016", organized by the Douro and Port Wine Institute  and the Portuguese University School of Arts (Porto).
    In addition to the ever present aspect of the artistic and aesthetic conception of the menus presented, Port wines from the main producing houses are a reference, associated with other great wines of the world, there is also the perspective of Port wine as a culinary ingredient in international cuisine.

    From the exihbition presentation leaflet text:

    "The Appreciation for drinking Port wine, expressly presented in the menus, was not confined to the Portuguese and Brazilian nineteenth and twentieth centuries reality, because during this period Port wine is included in several of these European documents.
     Port wine is presented in the menus developed for the most important official English events, namely the Royal Family and the ceremonies related to the Windsor, as well as various civil and military institutions. Toasting with Port wine also became a markdly English gesture.
    The mention of Port wine from some of its main producing houses is evidenced in this documentary tipology, both at home and abroad. In the menus we have, among others, names such as Fonseca Guimaraens, Dow, Warre, Noval, Ferreirinha, Ramos Pinto, Portal, Graham or Taylor. (...)".




 O vinho do Porto em menus europeus: 1884-2016

    Realiza-se no edifício do IVDP (Instituto dos vinhos do Douro e Porto), a interessante, curiosa e original exposição "O vinho do Porto em menus europeus: 1884 - 2016", organizada pelo próprio Instituto e pela Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa (Porto).

    Para além da sempre presente vertente de concepção artistica e estética destes documentos e da referência aos materiais utilizados, os vinhos do Porto das principais casas produtoras são referência, associados a outros grandes vinhos do mundo, também existe a perspectiva do vinho do Porto como ingrediente culinário na cozinha internacional.

    Do texto do folheto de apresentação da exposição:

    "O apreço por beber vinho do Porto, apresentando-o expressamente nos menus, não se cingiu somente à realidade portuguesa e brasileira dos séculos XIX e XX, pois durante este período esta bebida é incluída em diversos destes documentos a nível europeu.
    O vinho do Porto encontra-se presente nos menus da Familía Real e das cerimónias relacionadas com os Windsor, bem como de diversas instituições civis e militares. Brindar com vinho do Porto tornou-se também um gesto marcadamente inglês.
    A menção ao vinho do Porto de algumas das suas principais casa surge evidenciada nesta tipologia documental, tanto em termos nacionais como no estrangeiro. Nos menus expostos, deparamo-nos, entre outros, com nomes como Fonseca Guimaraens, Dow, Warre, Noval, Ferreirinha, Ramos Pinto, Portal, Croft, Graham ou Taylor. (...)".

©HSM

quarta-feira, 8 de março de 2017

14.ª Essência do Vinho Porto

A fortified tour and many good distractions




    The end of February in Porto is always a perfect opportunity to get to know and taste many good wines from Portuguese producers (and others of course), many presented by the producers themselves, not only in the “Essência do Vinho” this year’s edition, in Palácio da Bolsa, announcing 3,000 wines and 350 producers, but also taking advantage of the "Simplesmente Vinho", an "independent and alternative" event this year in its 5th edition, which takes place at a short distance (in the warehouses of the Casa do Cais Novo) and on the same date.

    In any case, too many good wines and so little time...

    In order not to make this experience too intense, of course the ideal would be to visit these events in more than just one day, but to make the most of the available time, my advice is to predefine a purpose (to taste, for example, fortified wines, sparkling wines, new releases, wines or producers that we do not yet know or regions that we know less well, special categories, etc.).

    An intense wine tasting afternoon, but there’s always many many more wines that certainly deserved our attention, at least until the next opportunity.

    The wines tasted:



Uma visita fortificada com muitas distracções


    O final do mês de Fevereiro no Porto é sempre uma oportunidade perfeita para conhecer e provar muitos vinhos de produtores portugueses (e não só), muitos apresentados pelos próprios produtores, não só na edição da Essência do Vinho, no Palácio da Bolsa, que anuncia 3.000 vinhos e 350 produtores, mas também aproveitando a realização do evento “Simplesmente Vinho”, manifestação “independente e alternativa” este ano na 5.ª edição e que ocorre a curta distância (nos armazéns da Casa do Cais Novo) e na mesma data.

    Em todo o caso, demasiados vinhos bons e tão pouco tempo…

    Para não tornar esta experiência menos intensa, claro que o ideal seria reservar mais do que apenas um dia, mas para aproveitar melhor o tempo disponível, o meu conselho é definir previamente um propósito (por exemplo, vinhos fortificados, vinhos espumantes, novos lançamentos, vinhos ou produtores que ainda não conhecemos ou regiões que conhecemos menos bem, categorias especiais, etc.).

    Uma tarde intensa de provas, com a certeza de que ficam sempre muitos vinhos que mereceriam a nossa atenção, pelo menos até à próxima oportunidade.


Os vinhos provados:


IVBAM (Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira);
The friendly representatives of the IVBAM at the EV, joined the tasting which started with Justino's Madeira Verdelho 10 Year Old, Henriques & Henriques Boal 10 Year Old, Justino's Malvasia 10 Year Old and the Madeira wines by Ricardo Diogo Freitas, Barbeito 10 years Malvasia (which distinguished itself from the other 10 years Malvasia proposals, being more intense and aromatic, perhaps the Malvasia de São Jorge) and Barbeito 30 years Malvasia "Vó Vera" (in the EV top 10 of the Portuguese wines).

As simpáticas representantes do IVBAM na EV, juntaram-se à prova, que começou com Justino’s Madeira Verdelho 10 Year Old, Justino’s Boal 10 Year Old, Henriques & Henriques Boal 10 Year Old, Justino’s Malvasia 10 Year Old e os vinhos Madeira de Ricardo Diogo Freitas, Barbeito 10 anos Malvasia (distingue-se das propostas 10 anos Malvasia de outros produtores, por ser mais intenso, talvez da Malvasia de São Jorge) e o Barbeito 30 anos Malvasia “Vó Vera” (no top 10 dos vnhos portugueses da EV este ano).

Madeira Wine Company,  Blandy´s;
Blandy’s Sercial 10 Years, Blandy’s Malvasia 10 Years, Blandy’s 2008 Harvest Malvasia, Blandy’s Terrantez 20 Years (um dos meus favoritos) e o frasqueira Blandy’s Verdelho 1979 (em 2016, ganhou o Madeira Trophy do Wine & Spirit Competition).



From the Madeira wines magic to the Douro wines...

Da magia dos vinhos da ilha da Madeira para o Douro…

Quinta da Romaneira (Douro);
Sino da Romaneira branco 2015, Quinta da Romaneira Reserva branco 2015, Quinta da Romaneira rosé 2015 (Tinta Roriz e Touriga Francesa), R de Romaneira tinto 2013, Quinta da Romaneira tinto 2012 (Touriga Nacional, Touriga Francesa e Tinto Cão, com várias classificações superiores a 90/100 pts., em revistas internacionais), Quinta da Romaneira Touriga Nacional, Quinta da Romaneira Syrah, Quinta da Romaneira Petit Verdot (vinho monocasta PV, que penso ser experiência única no Douro e o resultado da visão descomplexada de António Agrellos quanto à utilização de castas estrangeiras no Douro) e Quinta da Romaneira Reserva tinto 2012.
Quinta da Romaneira LBV 2012 unfiltered, Quinta da Romaneira Tawny 10 anos e Quinta da Romaneira vintage 2011.

Caves Transmontanas;
Os vinhos espumantes DOC Douro Vértice, do melhor que Portugal produz nesta categoria: Vértice Cuvée, Vértice Millésime (delicioso), Vértice Gouveio (fresco e muito elegante), Vértice Chardonnay e o mais recente Vértice Pinot Noir.

Quinta do Vallado;
Vallado Prima (100% Moscatel Galego), Quinta do Vallado Reserva Branco, Quinta do Valado Tinta Roriz e Quinta do Vallado Touriga Nacional.
Vallado Adelaide Vintage Porto 2014.

Quinta Vale D. Maria;
Quinta Vale D. Maria tinto 2012 (93/100pts Wine Enthusiast)

Quinta de Foz de Arouce (Beiras);
Vinhos da região das Beiras: Quinta de Foz de Arouce tinto 2012 e Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2013 (um grande vinho), vinhos diferentes com um carácter muito próprio.

Quinta da Touriga Chã (Douro);
Puro Quinta da Touriga tinto 2013 e Quinta da Touriga Chã tinto 2013.



Caminhos Cruzados (Dão);
Os vinhos deste muito recente projecto do Dão; Titular Colheita branco 2015, Titular Encruzado e Malvasia Fina 2015, Titular Encruzado 2014, Titular Alfrocheiro tinto 2014 (impressivo e com carácter), Titular Jaen tinto 2014 (equilibrado, fino e elegante), Titular Touriga Nacional 2013 (fresco e com as notas florais típicas da casta), Titular Reserva tinto 2013 (com Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz, complexo, suave e elegante).

Niepoort (Douro);
Apresentados por Nick Delaforce, Redoma branco 2015 e Tiara branco 2015, antes dos fortificados, Niepoort Moscatel do Douro (extraordinário e original), Niepoort 10 Years Old White e Niepoort Vintage 2015 "cask sample". Parece que a decisão está tomada na Niepoort quanto à declaração da colheita de 2015 como vintage clássico.



Churchill Graham (Douro);
Churchill's 10 Years Old Tawny (com o estilo mais seco da Churchill's), Churchill's 30 Years Old Tawny (lançado recentemente), Churchill's Quinta da Gricha Vintage Port 2013 e Churchill's Vintage Port 2014 (também lançado no final do ano passado).

Wine & Soul (Douro);
Manoella tinto, Quinta da Manoella VV tinto e Pintas Tawny 10 anos.

Susana Esteban (Alentejo);
Outra aventura recente nos vinhos do Alentejo; Aventura branco 2015 e Aventura tinto 2015 (frutado, suave e polido).



Quinta de São José (Douro);
Os vinhos de João Brito e Cunha; Flôr de S. José branco 2015, Quinta de S. José tinto 2014 e S.J Vintage Port Single Quinta 2012.

©HSM




quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

# The Port library news: the book "Quinta do Vallado. 300 years in the heart of the Douro"


    Quinta do Vallado: 1716 - 2016.

    Quinta do Vallado, founded in 1716, has just celebrated 300 years of history. It is not a unique case in the Douro valley, where time is measured in decades, in centuries. Within the scope of these celebrations it was published the book "Quinta do Vallado. 300 years in the heart of the Douro" (it was also bottled the extraordinary very old Port wine "Vallado ABF 1888", which honors the ancestor of the present owners of the Quinta do Vallado, António Bernardo Ferreira I), authored by the prestigious historian of the Douro and Port wine, Prof. Gaspar Martins Pereira and with a preface by António Barreto, also the author, among other works, of the book  "Douro, Rio, Gente e Vinho"  ("Douro, River, People and Wine), and the beautiful documentary "As Horas do Douro" ("The hours of the Douro).

     In a very careful and well designed edition, with curious details such as the cover and back cover presented with a tactile roughness that imitates the roughness of the Quinta walls, in its characteristic and traditional golden ocher, this edition whose production was designed by "Omdesign" agency (which had already been responsible for another work on the same subject, the book "250 years of histories", about the Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, which we will analyze in a future publication), a bilingual edition, written in portuguese and english and profusely illustrated (with today's photographs, some leaflets, and others from various sources, archives and collections, such as the documentation consulted), along its 224 pages (hardcover, 28,5 x 28cm format) we make a trip through the history of this iconic Douro Quinta, which in many aspects is also the history of other Douro Quintas, of the Douro wine region and of Port wine.

    This trip begins with a description of the location of Quinta do Vallado, on the slopes of the Corgo river valley, near Peso da Régua, in the heart of the Douro wine region, and also with the analysis of its long history, its medieval origins, of the "Comenda de Poiares" which belonged to the Order of Hospitallers and later with the first references that appear in documents of the XVII century. Then the foundation of Quinta do Vallado in 1716, the expansion of wine production and export growth to the british market, the initial and over the next centuries development of this family business. The XIX century and the «vineyard empire» of the Ferreira's and the refoundation phase of the Quinta that followed, with the land and vineyard expansion, the modernization of houses, wineries and "lagares" and the combination of the activity of wine commercialization with the wine production activity.

    The next phase, the years of the A.A. Ferreira, Sucessores/Companhia Agrícola e Comercial dos Vinhos do Porto, from the end of the XIX century to 1993 and to the present, the Quinta do Vallado, Sociedade Agrícola, and the investment in the future with the restructuring of the quintas, the definition of the best grape varieties, the necessity and the increase of wine production, the wine commercialization, the construction of a new and modern oak casks cellar and a vinification center with the most advanced winemaking technology, the restoration of the 17th century Quinta do Vallado main building and the interior of the 1733 chapel and the bet in the Quinta do Vallado Wine Hotel.

    This future prespective is also complemented by new projects, new vineyard plantations and the construction of the Casa do Rio, at Quinta do Orgal, on the Douro river slope, in the Upper Douro region, in the area of the Côa Valley Archaeologic Park.

   We are guided by the areas, the spaces and the numerous details of the Quinta and how the rhythm of the vineyard cycle marks the activity of man, vineyards and the various types of vineyard plantation that make up the landscape (about 90%), from the very old “pilheiros” to the various types of terraces, “socalcos”, “patamares” and “vinha ao alto” vineyards, the patrimony of the grape varieties identified in the old vineyards, the olive groves, the orange grove, the kitchen garden…

    This book also presents the Quinta do Vallado DOC Douro and Port wines varied portfolio of which we highlight two very old precious Port wines, the "Vallado Adelaide Tributa very old Port", dated 1866, commemorating the bi-centenary of D. Antónia birth and the most recently bottled "Quinta do Vallado ABF 1888", coming from pre-phylloxera vineyards. This last wine is the object of interesting and detailed tasting analyzes and notes, written by several personalities linked to the wine world, João Paulo Martins, João Pires and Justin Leone.

    From the preface, by António Barreto:

"The Quinta is undoubtedly the magical place of the Douro. Perhaps the essential reality of this marvellous region. The right place with spirit, where nature, history, work, men and wine meet together.”.


©HSM




# Notícias da biblioteca: o livro "Quinta do Vallado. 300 anos no coração do Douro"

    Quinta do Vallado: 1716 - 2016

    A Quinta do Vallado, fundada em 1716, acaba de celebrar 300 anos de história. Não é caso único no Douro, onde o tempo se mede em décadas, em séculos. No âmbito destas comemorações foi editado o livro “Quinta do Vallado. 300 anos no coração do Douro” (foi também engarrafado o extraordinário vinho do Porto muito velho “Vallado ABF 1888”, que homenageia o antepassado dos actuais donos da quinta, António Bernardo Ferreira I), da autoria do prestigiado historiador do Douro e do vinho do Porto, Prof. Gaspar Martins Pereira e com prefácio de António Barreto, também autor, entre outros, do livro "Douro, Rio, Gente e Vinho" e do belissímo documentário “As Horas do Douro”.

    Numa edição muito cuidada e bem concebida, com pormenores curiosos como é o caso da capa e contracapa ser apresentada com uma rugosidade táctil que imita a rugosidade das paredes da quinta, no seu característico e tradicional ocre dourado, edição esta cuja produção e design é da responsabilidade da agência “Omdesign”, (que já tinha sido responsável por outra obra nesta temática, o livro ”250 anos de Histórias“, sobre a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, cuja análise ficará para outra publicação), numa edição bilingue, apresentada em português e inglês e profusamente ilustrada (com fotografias actuais, algumas desdobráveis, e outras provenientes de várias fontes, arquivos e colecções, assim como a documentação consultada), ao longo das suas 224 páginas (capa dura, no formato 28,5x28cm.) permite-nos uma viagem pela história desta icónica Quinta do Douro, que em muito aspectos é também comum a outras quintas históricas do Douro e também pela história do vinho do Porto.

    Esta viagem tem início na localização da Quinta do Vallado, nas encostas do vale do rio Corgo, a curta distância do Peso da Régua, no coração do Douro vinhateiro e com uma análise da sua longa história, com origens medievais, dos domínios da comenda de Poiares da Ordem do Hospital e mais tarde com as primeiras referências que surgem em documentos do séc. XVII. Depois, a fundação da Quinta do Vallado em 1716, a expansão vitícola e o crescimento das exportações para o mercado britânico, o desenvolvimento inicial e depois ao longo dos séculos seguintes, desta empresa familiar. O séc. XIX e o «império vinhateiro» dos Ferreiras e a fase de refundação da Quinta, com expansão de terras, a modernização de casas, adegas e lagares e a conjugação da actividade de comercialização de vinhos com a actividade produtiva.

    A fase seguinte, os anos da A.A. Ferreira, Sucessores/Companhia Agrícola e Comercial dos Vinhos do Porto, de finais do séc. XIX até 1993 e a fase actual, Quinta do Vallado, Sociedade Agrícola e um caminho do futuro, a reestruturação das quintas, a definição de castas, a necessidade e o aumento de produção, a comercialização dos vinhos, o investimento na construção de uma nova e moderna adega de barricas e um centro com a mais avançada tecnologia de vinificação, a recuperação do edifício setecentista da Quinta e do interior da capela de 1733 e a aposta no Hotel vínico da Quinta do Vallado.

    Esta prespectiva de futuro passa também ou é complementada por novos projectos, novas plantações de vinha e a construção da Casa do Rio, na Quinta do Orgal, na encosta do rio Douro, no Douro Superior, na área do Parque Arqueológico do Vale do Côa.

    Somos guiados e ficamos a conhecer as áreas, os espaços e inúmeros pormenores da Quinta do Vallado e como o ritmo do ciclo da vinha marca a actividade do homem, os vinhedos, os vários tipos de plantio da vinha que integram a paisagem (cerca de 90%), dos antigos pilheiros aos vários tipos de socalcos, patamares e vinhas ao alto, o património das castas identificadas nas vinhas velhas, os olivais, o laranjal, a horta...

    Este livro apresenta ainda o variado portfolio de vinhos DOC Douro e Porto da Quinta do Vallado, em que se destacam as preciosidades “Vallado Adelaide Tributa Porto muito velho”, datado de 1866, comemorativo do bi-centenário do nascimento de D. Antónia e o mais recentemente engarrafado “Quinta do Vallado ABF 1888”, provenientes de vinhas pré-filoxera. Este último é o objecto de interessantes e detalhadas análises de prova, da autoria de várias personalidades ligadas ao mundo do vinho, João Paulo Martins, João Pires e Justin Leone.

    Do prefácio, por António Barreto:

"A Quinta é certamente o local mágico do Douro. Talvez a realidade essêncial desta maravilhosa região. O lugar certo com espírito, onde se encontram a natureza, a história, o trabalho, os homens e o vinho.".



©HSM






terça-feira, 6 de dezembro de 2016

# Douro: The 2016 harvest report

(Quinta da Costa de Baixo, Cima Corgo Douro sub-region)


A difficult and very demanding year...

    This is how we can best define another cycle of the vineyard that has just ended, an atypical wine year that was difficult, demanding and that forced a lot of work in the vineyard. It was a challenging year which led producers to better understand each specific terroir, each part of the vineyard and each grape variety in order to make the most of production.

    It all started with a very rainy winter, with an average precipitation far above the usual registered in all the Douro sub regions. There was an increase of aproximatly 40% when comparing this data with past years average values.

    Usually, rain in winter in the Douro is always welcome, because it allows the restoration of the soil water reserves. However, what happened this year was an excess of rain and rain until very late. April and May were also also rainy months and with mild temperatures, below what would be normal.

    At the beggining of spring and in a sensitive and critical phase of the vine and the formation of the grape bunches, as we have seen, rain persisted and temperatures were lower than usual for this time of year, causing a delay of the vine vegetative cycle, and creating favourable climatic conditions for the appearance and development of diseases and fungi on the vineyards, especially mildew, but also powdery mildew, among others, with the consequent need of permanent monitoring and intense work for the necessary phytosanitary treatments.

    As a consequence, there was an increase in production costs and a more than predictable decrease of the vineyard quantitative potencial.

    In May the rain stopped, and the temperature began to rise and close to the usual values for the season. In the months that followed, June, July and August, there were high temperatures, a lot of heat and with little thermal amplitude.
    
    The summer was dry and thus remained until the first week of September.

    The summer heat caused irregular, unbalanced and some delay in maturation (from 1 to 2 weeks when compared with the previous year), as well as a water deficit in the vines that can cause the stop of maturation (in these cases the plant as a natural protection mechanism, according to which, in cases of ambient temperatures above 35ºC, the photosynthesis stops, thus delaying ripening), which at this stage, again implied daily monitoring of the grapes ripeness. And under these conditions, the youngest vineyards and those located at lower levels and the most exposed grapes, are the ones that have suffered most from the heat. 
    In any case, the cooler September nights and especially the rain of September 13, ended up favoring the rebalancing and recovery of the grapes, being very evident this year the heterogeneity of the different rhythms of each region and the differences of each grape variety to reach their ideal maturity stage.

    This was followed by the harvest phase, which in many situations required patience and wide decisions to pause or interrupt the harvest when possible, to start again later and wait for the ideal time to obtain the best possible ripeness in each vineyard plot and according to each grape variety.

    The harvesting at the end of September and beginning of October occured in very good weather conditions and eventually compensated those who waited, the grapes have reahed a better balance, better maturation and better quality.

    The expected quantitative decreases in production remained at between 19% to 27% (reaching in some cases 40%). It was a year in which the knowledge of the vineyard and the very specific conditions of each vineyard parcel proved to be decisive, and of course the strategy dfined according to this knowledge, as well as the monitoring and the rigut time treatments performed in the vineyards.
    Despite all this, it is expected that the quality of the wine from the 2016 harvest will be good, better than all the difficulties of the wine-growing year would suggest, since the results of the fermentations were surprising by the colour and the aromas showed.

    Keeping these informations in mind, which I'am sure will help us to better understand the characteristics of the 2016 Douro wines, we just have to patiently waint... and with some anxiety.


©HSM


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

# Douro: o relatório da vindima de 2016



    Um ano difícil e muito exigente...

    É assim que podemos caracterizar mais um ciclo da vinha que acaba de terminar, um ano vitícola atípico, difícil, exigente e com muito trabalho na vinha. Foi um ano desafiante que obrigou a perceber melhor cada terroir específico, cada parcela da vinha e cada casta para salvar e potenciar a produção.

   Tudo começou com um Inverno muito chuvoso, com uma média de precipitação muito acima do habitual em todas as sub-regiões do Douro. Registou-se um aumento aproximado de 40%, quando comparamos os dados da precipitação com os valores médios dos últimos anos.

    Normalmente, chuva no Inverno, no Douro é sempre muito benvinda, porque permite a reposição das reservas de água no solo. Todavia, o que aconteceu este ano foi um excesso de chuva e chuva até muito tarde. Abril e Maio foram também meses chuvosos e com temperaturas amenas, abaixo do que seria normal.

    No início da Primavera e numa fase sensível e crítica da videira e da formação dos cachos, como vimos, a chuva manteve-se e as temperaturas foram mais baixas, causando um atraso no ciclo vegetativo da vinha e criando as condições climatéricas favoráveis ao aparecimento e desenvolvimento de doenças e fungos na vinha, principalmente o míldio, mas também o oídio, entre outras, com a consequente necessidade de acompanhamento permanente e trabalho intenso para os necessários tratamentos fitossanitários.

    Como consequências, houve um aumento dos custos de produção e uma previsível diminuição do potencial quantitativo da vinha.

    Em Maio a chuva parou e a temperatura começou a subir e a aproximar-se dos valores habituais para a época. Nos meses que se seguiram, Junho, Julho e Agosto, registaram-se temperaturas altas, muito calor com pouca amplitude térmica.

    O Verão foi seco e assim se manteve até à primeira semana de Setembro. Este calor de Verão provocou, maturações irregulares e desequilibradas e também algum atraso na maturação (de 1 a 2 semanas relativamente a 2015), assim como, um défice hídrico nas videiras que pode originar a paragem das maturações (nestes casos, a planta tem um mecanismo de protecção natural, de acordo com o qual, em casos de temperaturas ambiente acima dos 35ºC, pára a fotossíntese, atrasando as maturações), o que, nesta fase, implicou o acompanhamento diário das maturações das uvas. E nestas condições, as vinhas mais jovens, as situadas a cotas mais baixas e as uvas mais expostas, são as mais atingidas.

    Em todo o caso, as noites mais frescas de Setembro e sobretudo a chuva de 13 de Setembro, acabou por favorecer o reequilíbrio e a recuperação das uvas, sendo muito evidente neste ano, a heterogeneidade dos comportamentos e ritmos diferentes de cada região e das diferentes castas para atingir o seu estado ideal de maturação.

    Seguiu-se a fase da vindima, que em muitas situações exigiu paciência, decisões sensatas de fazer pausas ou interrupções na vindima para recomeçar mais tarde e esperar pelo momento ideal para obter as melhores maturações possíveis, em cada parcela de vinha e com cada casta.

    A vindima no final de Setembro e início de Outubro, ocorreu com condições climatéricas muito boas e acabou por compensar, atingindo as uvas um melhor equilíbrio, melhor maturação e melhor qualidade.

    As quebras quantitativas previstas na produção, mantiveram-se, atingindo valores entre os 19% e 27% (chegou a atingir em alguns casos valores de 40%). Foi um ano em que se revelou decisivo, o conhecimento da vinha e as condições específicas de cada terreno e a estratégia definida de acordo com este conhecimento, assim como o acompanhamento e os tratamentos realizados na vinha.

    No entanto, espera-se que a qualidade dos vinhos da colheita de 2016 seja boa, melhor do que todas as dificuldades do ano vitícola fariam supor, uma vez que os resultados das fermentações acabaram por surpreender, pela côr e pelos aromas.

    Com estas informações que espero nos ajudem a compreender melhor as características dos vinhos do Douro deste ano de 2016, só nos resta esperar com paciência… e alguma ansiedade.




©HSM

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

# The 2013 Vintage Port

(The Graham´s 1890 Lodge, Vila Nova de Gaia "Entreposto")

(Rev. 11/2016)

   As we have been publishing for previous vintages, we now register the list of the 2013 vintage Port wines and their producers. As in 2012 there were several producers to bottle vintage Port from the 2013 harvest which was also a non-classic vintage or SQVP (for definitions click:the Single Quinta Vintage Port), also a risky decision, after the 2011 mythical classic year and the 2012 vintage declarations.

   The 2013 and 2012 are both great quality vintage Port wine, but also Port wines that reflect the nature and the wine growing year conditions of the years they represent, which were in fact very diferent years. In very general terms, are seen as the main distinguishing characteristics of the 2013 vintage Port wines, when compared with the previous year, the following: they are lighter and fresher vintages, less bulky, with more acidity and more vegetable aromas and tannins which are the result of a year characterized by plenty of rain in winter and spring and less heat in spring and summer than usual.

The 2013 vintage Ports are the following:

  • Bulas Port Vintage 2013 (Bulas Family Estates)
  • Churchill's Quinta da Gricha Vintage Port 2013 (Churchill Graham)
  • Dow's Quinta Senhora da Ribeira 2013 Vintage Port (Symington Family Estates, Vinhos)
  • DR Port Vintage 2013 (Agri-Roncão, Vínicola)
  • Duorum Vinha de Castelo Melhor 2013 Vintage Port (Duorum Vinhos)
  • Fonseca Guimaraens Vintage Port 2013 (The Fladgate Partnership/Quinta and Vineyard Bottlers, Vinhos)
  • Niepoort Bioma Vinha Velha Vintage 2013 (Niepoort Vinhos)
  • Pacheca Vintage Port 2013 (Quinta da Pacheca, Sociedade Agrícola e Turística)
  • Poças Vintage Porto 2013 (Manuel D. Poças Júnior Vinhos)
  • Portal Quinta dos Muros Porto Vintage 2013 (Sociedade Quinta do Portal)
  • Quevedo Porto Vintage 2013 Quinta Vale D'Agodinho (Vinhos Óscar Quevedo)
  • Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo Vintage Porto 2013 (Quinta Nova)
  • Quinta da Costa das Aguaneiras Porto Vintage 2013 (Quinta da Costa das Aguaneiras, Casa de Mateus)
  • Quinta da Gaivosa Porto Vintage 2013 (Domingos Alves de Sousa)
  • Quinta do Javali Vintage Port 2013 (Sociedade Agrícola Quinta do Javali)
  • Quinta do Noval 2013 Vintage Port (Quinta do Noval, Vinhos)
  • Quinta do Pégo Vintage Porto 2013 (Quinta do Pégo)
  • Quinta do Seixo 2013 Vintage Porto (Sogrape Vinhos)
  • Quinta do Tedo Vintage Porto 2013 (Vincent Bouchard - Quinta do Tedo)
  • Quinta do Vale Meão Vintage Port 2013 (F. Olazabal & Filhos)
  • Quinta do Vesúvio 2013 Vintage Port (Symington Family Estates, Vinhos)
  • Quinta Seara D'Ordens Porto Vintage 2013 (Soc. Agrícola Quinta Seara D'Ordens)
  • Sandeman Quinta do Seixo 2013 Vintage Porto (Sogrape Vinhos)
  • Senhora do Convento Porto Vintage 2013 (Senhora do Convento)
  • S. J Vintage Port Single Quinta 2013 (Quinta de S. José, João Brito e Cunha Lda.)
  • Vasques de Carvalho 2013 Vintage Porto (Vasques de Carvalho, Soc. Agrícola e Comercial)
  • Vista Alegre Porto Vintage 2013 (Vallegre Vinhos do Porto).


   Tal como temos vindo a fazer para anos anteriores, publicamos agora a lista dos vinhos do Porto vintage de 2013. Tal como aconteceu em 2012, houve várias casas produtoras a engarrafar um vinho do Porto vintage da colheita de 2013, também ou vintage não clássico ou SQVP (vêr definições em: vintage-port-single-quinta-vintage), igualmente uma decisão arriscada, depois do mítico ano clássico de 2011 e também das varias declarações de 2012.

   Os Porto vintage de 2013 e 2012, são ambos vinhos do Porto de grande qualidade, mas são também vinhos que reflectem a natureza e as condições do ano vitícola em que nasceram, que foram, na realidade, anos muito distintos. Em traços muito gerais, são apontadas como principais características diferenciadoras dos vintages de 2013, quando comparados com o ano anterior, as seguintes: são vintages mais leves e frescos, menos volumosos, com uma acidez mais elevada e com aromas e taninos mais vegetais, que são o reflexo de um ano que se caracterizou por bastante chuva no Inverno e Primavera e também por menos calor do que o habitual na Primavera e Verão.





(agradeço, desde já, quaisquer informações complementares, para o email ptopwine@gmail.com)

(Please send further relevant information to the following email adress: ptopwine@gmail.com)

©HSM

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

# Niepoortland!: aka "Open Day Niepoort / Niepoort Portas Abertas"

   Last July was held the “Open Day Niepoort” 2nd edition, in the Niepoort cellars courtyard in Vila Nova de Gaia. An event not to be missed to meet all the Niepoort wines universe, and much, much more. Dirk Niepoort was the perfect host:
all categories of Niepoort Port wines, among others, with the latest Niepoort Crusted, bot. 2013 (bottled sample), “Niepoort 2013 Bioma Vinha Velha Vintage” and the rare and unique “Niepoort Garrafeira 1984” (a port style created by Niepoort in the 30’s and which this company is the only producer to date), virtually the entire range of table wines from Niepoort (Douro, Dão and Bairrada), Quinta de Soalheiro (the recent "Granit" and "Terramatter" and the interesting taste of “Soalheiro Primeiras Vinhas with ten years apart), Quinta das Bágeiras, the eccentric Buçaco wines, Ladredo (Ribeira Sacra), Navazos (Jerez de la Frontera), Burgundy, with the presence of the producer Philippe Pacalet, the Champagne Legras (refreshing and complex, accompanied by the Ria Formosa estuary oysters).

   Realizou-se a 2.ª edição “Niepoort Portas Abertas”, no passado mês de Julho, no pátio das caves Niepoort, em Vila Nova de Gaia. Sempre um acontecimento a não perder para conhecer todos os vinhos do universo “Niepoort” e não só. Dirk Niepoort foi o perfeito anfitrião: com todas as categorias de vinho do Porto Niepoort, entre outros, com os mais recentes “Niepoort Crusted, eng. 2013” (em amostra), “Niepoort 2013 Bioma Vinha Velha Vintage” e o raro e único “Niepoort Garrafeira 1984” (estilo criado em 1931 e do qual a Niepoort é a única casa produtora), praticamente toda a gama de vinhos de mesa da Niepoort (Douro, Dão e Bairrada), Quinta de Soalheiro (com os recentes “Granit” e “Terramatter” e a interessante prova de dois “Soalheiro Primeiras Vinhas, com dez anos de intervalo), Quinta das Bágeiras, os vinhos do Buçaco, Ladredo (Ribeira Sacra), Navazos (Jerez de la Frontera), a Borgonha, com a presença do produtor Philippe Pacalet, o Champagne Legras (refrescante e complexo, acompanhado de ostras da ria Formosa).

   Some photos of our portfolio:
   Algumas imagens do nosso portfolio:
   




   One of the XIX centrury "demijohns", used by Niepoort for the production of the “Garrafeira” style Port Wine. In this case the 1984 Garrafeira, that according to Nick Delaforce, we do not know yet whether it will be released in the market.

   Um dos "demijohns" do séc. XIX, utilizados pela Niepoort para a produção do vinho do Porto Garrafeira. Neste caso o Garrafeira de 1984 que, de acordo com Nichiolas Delaforce, enólogo da casa, não sabemos ainda se será lançado no mercado.



A complex Port decanting operation.




A Niepoort Batuta "melchior" bottle (18 liter bottle).




   

© HSM