domingo, 22 de novembro de 2015

# Douro: the 2015 harvest report

(Quinta da Costa de Baixo, Upper Corgo sub-region    © HSM archives)
Completed the recent harvest, the annual cycle of the vineyard in the Douro region is over. Let us consider the main characteristics of the wine year and the influence of the vagaries of nature and climate throughout the year.
We can begin by stating that, in general, it was an atypical year, let's look at the following summary:

The winter was cold and dry.

The spring was warmer and drier than usual for this time of year in this region. The months of April, May and June were even unusually warm and together with the high temperatures registered there was also a lack of water and it was precisely in the spring that the effects of the lack of rain were felt.

Indeed, the first major feature of this wine year was the drought, the permanent and severe water shortage that was, of course, a constant concern.
The consequence of these natural factors in the vineyards was the anticipation of the vineyard cycle, which started earlier than usual, flowering occurred in May and the “painter” (“veraison” or coloring) arrived in July.

Some producers harvest reports enhance the schist soils formations and its water retention capacity of the few winter rains and also the adaptability of indigenous Douro grape varieties, which turned out to prevent dehydration and even, as we shall see, to determine the balanced ripening of the grapes.
In addition to the vineyard ability to stay hydrated in these difficult conditions, we also have to consider  the cooler weather and cooler temperatures during maturation, which prevented the water stress of the vines.

Then, in summer, remained the lack of water. During July and August, temperatures were less warm, and cooler than is the norm in this region at this time of year, with cooler nights, which contributed to the maturation balance and uniformity of maturation and to the natural acidity of the grapes.

There was a precocious maturation and in many cases the harvest was anticipated. At the beginning of the harvest the grapes had great looks and were in very good condition and a clear quality good balance between the level of sugar and acidity, with the ideal conditions at this late maturing cycle. All at this stage pointing to a good harvest.

Then in full harvest, there was the critical moment, with heavy rains on 15 and 16 September. After long and widespread drought, vines, thirsty, immediately absorbed rain water with consequent dilution of the grapes.

It was the time of big decisions and the harvest interruption for a few days was the right one and also the most risky considering the uncertainty of the weather and the return of rain. However, these standby days enabled the disappearance of the effects of the diluting of the grapes.

Resuming the harvest, it was found that the interruption offset the risk assumed, since the rain eventually help balance the ripening of the grapes which were in excellent health condition and the maturation was more regular, which also led to a general quality improvement.

We recall also that the previous two vintages, 2013 and 2014 that were very affected by the rain.

Entered in October, appeared the first autumn rains.

In conclusion, the analysis of the various registers of producers and harvest reports, despite the widespread drought, weather conditions, especially in the summer and until the beginning of the harvest, did not harm the vines and grapes that endured the heat, but had effects in the production levels, which were lower compared to the average of the Douro, that is already low (approximate and not definitive figures represented a reduction of 10%), which in some specific situations represented a reduction of over 40%.

It was also a year in which the conditions turned out to be favorable to a homogeneous vegetative growth of the grapes and a very high average quality balanced wines with lots of color and firm tannins.

Between producers the enthusiasm is great. Niepoort is convinced that 2015 will be a better year than 2011 for Port wines and the DOC Douro. Graham's refers to an "exceptional" year. Some critics follow, speaking of an excellent year.

If in 2014 we concluded the report mentioning that it was not a year for classic vintage statements, in 2015 we can say that will be a year of great wines and in all likelihood will be a year of classic vintages. For confirmation we can only wait by the spring of 2017.





© HSM


# Douro: o relatório da vindima de 2015


(Quinta da Costa de Baixo, Cima Corgo    © HSM archives)
Com a recente vindima terminou o ciclo anual da vinha na região do Douro. Vamos então considerar as principais características do ano vitivinícola e a influência dos caprichos da natureza e do clima ao longo do ano.

Podemos começar por afirmar que, em geral, se tratou de um ano atípico, vejamos um resumo:

O Inverno foi frio e seco.

A Primavera foi mais quente e seca do que o habitual para esta época do ano. Os meses de Abril, Maio e Junho foram mesmo anormalmente quentes e a par das temperaturas altas houve também falta de água e foi precisamente na Primavera que os efeitos da falta de chuva se fizeram sentir.
Com efeito, a primeira grande característica deste ano vinícola foi a seca, a permanente e severa falta de água que foi, desde logo, um factor de preocupação.

A consequência destes factores naturais para as vinhas foi a antecipação do ciclo da vinha, que se iniciou mais cedo do que o habitual, a floração ocorreu em Maio e o pintor (veraison) chegou em Julho.

Os relatórios de vindima de alguns produtores realçam a constituição dos solos xistosos e a sua capacidade de retenção da água das poucas chuvas do Inverno e também a capacidade de adaptação das castas autóctones da região do Douro, o que acabou por evitar a desidratação e até, como veremos, a determinar a maturação equilibrada das uvas.

Para além da capacidade da vinha se manter hidratada nestas condições difíceis, houve ainda a considerar o tempo mais fresco com temperaturas mais baixas durante a maturação, o que permitiu evitar o stress hídrico das vinhas.
Depois, no verão, a falta de água manteve-se. Nos meses de Julho e Agosto, as temperaturas foram menos quentes, mais amenas do que é a regra nesta região nesta época do ano, com noites mais frescas, o que contribuiu para o equilíbrio e a homogeneidade das maturações e para a acidez natural das uvas.

Houve uma maturação precoce e em muitos casos a vindima foi antecipada. No início da vindima as uvas tinham um excelente aspecto e estado e uma qualidade evidente, com bom equilíbrio entre o grau de açúcar e a acidez, com condições ideais neste ciclo final de maturação. Tudo nesta fase apontava para uma boa vindima.

Depois, em plena vindima, aconteceu o momento crítico, com as chuvas fortes nos dias 15 e 16 de Setembro. Após a longa e generalizada seca, as videiras, sedentas, absorveram de imediato a água da chuva com a consequente diluição dos bagos.

Foi o momento das grandes decisões e suspender a vindima por alguns dias foi a mais acertada e também a mais arriscada pela incerteza do clima e do regresso da chuva. Estes dias de espera permitiram o desaparecimento dos efeitos da diluição do açúcar das uvas.

Retomada a vindima, verificou-se que a interrupção compensou o risco assumido, uma vez que a chuva acabou por ajudar a equilibrar a maturação das uvas, que estavam num excelente estado sanitário e com as maturações foram mais regulares, o que também originou uma melhoria generalizada da qualidade.

Relembramos também que as duas vindimas anteriores, de 2013 e 2014, foram muito mascadas e afectadas pelas chuvas.

Entrados em Outubro, apareceram as primeiras chuvas de Outono.

Em conclusão, pela análise dos diversos registos dos produtores e dos relatórios de vindima, apesar da seca generalizada, as condições climatéricas, sobretudo no verão e até ao inicio da vindima, não prejudicaram as videiras e as uvas suportaram bem o calor, mas teve efeitos na produção, que foi menor quando comparada com a média do Douro, já de si baixa (em números aproximados e não definitivos representou uma redução de 10%), que em algumas situações especificas representou uma redução superior a 40%.

Foi também um ano em que as condições acabaram por ser favoráveis com um crescimento vegetativo homogéneo e com uma qualidade média muito elevada, com vinhos equilibrados, com muita côr e taninos firmes.

Entre os produtores o entusiasmo é grande. Niepoort está convencido que 2015 será um ano melhor que o de 2011 para os vinhos do Porto e para os DOC Douro. A Graham´s refere um ano “excepcional”. Alguns críticos acompanham, falando num ano excelente.


Se em 2014 concluímos que não seria um ano para declarações de vintage clássico, em 2015 podemos referir que será um ano de grandes vinhos e com toda a probabilidade será um ano de vintage clássico. Para a confirmação resta-nos esperar pela primavera de 2017.
© HSM
(Quinta da Costa de Baixo, Cima Corgo    © HSM archives)

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

# Do you (really) know Madeira wine? II.


...and the grape varieties.



(Porto, Essência do Vinho 12nd edition    © HSM archives)

After the last publication, in which we presented some of the uniqueness of a wine with five centuries of history in a unique wine region, located in the middle of the Atlantic ocean, we will now focus our attention on the specificities of the grapes that are behind Madeira wine.

First, we must bear in mind that when we think of Madeira wine, the approach is different, because we think in grape varieties above all, compared to Port wine, for example, we think mainly of styles of wine (ruby, tawny, etc).

By legal definition, the "Madeira" designation of origin and the grape varieties indication are reserved to wines produced from recommended grape varieties.

According to the latest Madeira wine legal regulation update (February 2015), these recommended grape varieties are:

White grapes
  • Bual, Boal or Malvasia Fina
  • Malvasia-Cândida
  • Malvasia, Malvazia or Malvasia de S. Jorge
  • Moscatel Graúdo or Moacatel de Setúbal
  • Sercial or Esgana-cão
  • Terrantez or Folgasão
  • Verdelho
Red grapes
  • Bastardo
  • Tinta
  • Tinta Negra
  • Verdelho Tinto
Rosé grapes
  • Listrão
  • Malvasia-Cândida-Roxa
Following the IVBAM data (Wine, Embroidery and Crafts of Madeira Institute), the entity responsible to regulate and control the wine production activities in Madeira, the percentages of each grape variety in the total island vineyard area, are as follows:
  • Tinta Negra: 54,7%
  • Verdelho: 10,7%
  • Malvasia: 7,7%
  • Sercial: 3,4%
  • Boal: 3,3%
  • Bastardo: 0,4%
  • Terrantez: 0,3%
  • Complexa: 7,2%
  • Others: 12,3%
There are some notable curiosities, such as the designation of the white grapes "Esgana-Cão" (Sercial), that in english means something like "dog strangler", which results from the characteristic high acidity level of this white grape, or the popular portuguese saying associated with Terrantez grapes: "The Terrantez grapes, do not eat nor give them, because for wine God made them".

The main novelty is that the Tinta Negra appears in this list of recommended varieties, such as the so-called noble traditional grape varieties (Sercial, Verdelho, Boal, Terrantez, Bastardo and Malvasia) which means, of course, the possibility of being identified and mentioned on the wine label, which so far, as a rule, did not happened. We know indirectly that a Madeira wine is produced from Tinta Negra when the bottle label only indicates the wine style (the degree of sweetness), not mentioning the grape variety associated.

With the exception of the Terrantez grapes (that produce semi-dry or semi-sweet style wines), the main grape varieties used to produce Madeira wine, are: the Tinta Negra (produces all wine styles), Sercial (dry), Verdelho (semi-dry), Boal (semi-sweet) and Malvasia (sweet).

Currently, the Tinta Negra (Tinta Negra Mole, as it is traditionally known) represents about 85% of all the grapes produced in Madeira. It is a variety widespread throughout the island and has a great productivity and is extremely versatile, since from this grapes, as we have seen, we can produce all the Madiera wine styles.

As we have written above, Madeira wine has the characteristic of being produced from a single grape variety, unlike the portuguese wine making tradition of blending several grape varieties to produce a wine.

The present regulation also states that the wine label should mention a single grape variety and must necessarily refer the degree of sweetness, except in those cases that the label indicates the Sercial, Verdelho, Boal, Malvasia-Cândida-Roxa and Malvasia, that are grape varieties that also define the wine style.


   ©HSM

# Conhece (realmente) o vinho da Madeira? II.

...e as castas.

Depois da última publicação, na qual se apresentaram algumas singularidades de um vinho com cinco séculos de história, de uma região única, situada em pleno Oceano Atlântico, vamos agora concentrar a nossa atenção nas especificidades das variedades de uvas ou castas que estão na sua origem.

Devemos ter em mente que quando pensamos em vinho da Madeira, a abordagem é diferente, porque pensamos sobretudo em castas, por comparação com o vinho do Porto, por exemplo, em que pensamos fundamentalmente em estilos de vinho (ruby, tawny, etc).


Por definição legal, a Denominação de Origem "Madeira" e a indicação das castas de uvas no rótulo dos vinhos, é reservada aos vinhos produzidos a partir de castas recomendadas.


De acordo com a recente actualização da regulamentação legal do vinho da Madeira (de Fevereiro de 2015) as castas recomendadas são:


Castas brancas

  • Boal, Bual ou Malvasia-Fina
  • Malvasia-Cândida
  • Malvasia, Malvazia ou Malvasia de S. Jorge
  • Moscatel Graúdo ou Moscatel de Setúbal
  • Sercial ou Esgana-Cão
  • Terrantez ou Folgasão
  • Verdelho
Castas tintas
  • Bastardo
  • Tinta
  • Tinta Negra
  • Verdelho Tinto
Castas rosadas
  • Listrão
  • Malvasia-Cândida-Roxa
Seguindo os dados do IVBAM (Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira), entidade que tem a responsabilidade de regular e controlar as actividades vitivinícolas na Madeira, no ano de 2012, as percentagens de cada casta na área total de vinha, são as seguintes:

Tinta Negra: 54,7%
Verdelho: 10,7%
Malvasia: 7,7%
Sercial: 3,4%
Boal: 3,3%
Bastardo: 0,4%
Terrantez: 0,3%
Complexa: 7,2%
Outras: 12,3%

Há algumas curiosidades dignas de nota, como o nome da casta "Esgana-Cão" (Sercial), que deve o nome à elevada acidez, característica destas uvas, ou ainda o ditado popular associado às uvas Terrantez; "As uvas Terrantez, não as comas nem as dês, para o vinho Deus as fez.".

Sobressaí, como uma das novidades desta regulamentação, que a casta Tinta Negra surge na lista das castas recomendadas, no mesmo plano das chamadas castas nobres tradicionais (Sercial, Verdelho, Boal, Terrantez, Bastardo e Malvasia), o que significa, desde logo, a possibilidade de ser indicada na rotulagem o que até agora, por regra, não sucedia. Sabemos, indirectamente, que um vinho Madeira é elaborado a partir da casta Tinta Negra, quando o rótulo apenas indica o estilo do vinho (o grau de doçura) sem mencionar a casta que está na origem.

Com excepção da casta Terrantez (a partir da qual se podem produzir vinhos de estilo meio-seco e meio-doce), as castas mais utilizadas na produção de vinho da Madeira são; a Tinta Negra (todos os estilos), Sercial (seco), Verdelho (meio-seco), Boal (meio-doce) e Malvasia (doce).

Actualmente, a Tinta Negra (Tinta Negra Mole, na designação tradicional), representa cerca de 80 a 85% do total de uvas produzidas na Madeira. É uma casta difundida por toda a ilha, de grande produtividade e rendimento e extremamente versátil, uma vez que, como referimos, permite produzir todos os estilos de vinho.

Como já vimos, o vinho da Madeira, é um vinho de uma só casta, ao contrário da tradição portuguesa de produção de vinhos de lote.

A regulamentação refere também que no rótulo só pode ser mencionada uma única casta, das recomendadas, e é obrigatória a menção ao grau de doçura, com excepção dos casos em que o rótulo menciona as castas Sercial, Verdelho, Boal, Malvasia-Cândida-Roxa e Malvasia, castas que definem os estilo do vinho.

 ©HSM















quinta-feira, 6 de agosto de 2015

# Do you (really) know Madeira wine? I.

Categories & styles...


(Carte des Isles de Madere et Porto Santo, Bellin, Jacques-Nicolas, 1747   © HSM archives)


The principle that should guide us in these matters is: know or try to learn more to appreciate better, in this case, to enjoy the wonderfull Madeira wine diversity, which is one of the greatest wines in the world, with unique characteristics and still unknown to most Portuguese.

Several classifications of the Denomination of Origin (DO) Madeira wine (wines produced only from recommended grape varieties) are possible; dated and undated, blend or with an indication of age Madeira wines, and also classifications considering the colour or the sweetness level of the wines, its structure and production process and the traditional terms and designations.


A good and practical synthesis of these definitions is the classification based on the distinction between blended wines or blend and dated Madeira wines or single harvest:

Blend (or with indication of age) Madeira wines

These wines are a blend of various years or harvests, with an average age of;
  • Year old
Together with the age indication, we have the sweetness degree that defines the wine style; extra-dry, dry, medium-dry, medium-sweet and sweet or rich.
  • 5, 10, 15, 20, 30, 40, 50 and over 50 years old (*)
The indication of is mentioned on the label, aswell as the wine style or sweetnes degree and the grape variety used in the production and that will give the wine its specific characteristics, which are;

- Sercial; extra-dry or dry Madeira wine
- Verdelho; medium-dry
- Boal; medium-sweet
- Terrantez; medium-dry or medium-sweet
- Malvasia; sweet

The 3 and 5 year old Madeira wines represent the majority of the Madeira wine total production. They are the producers generic and more accessible commercial wine range. As a rule, they are generally well made wines, but always limited to what can be done in this period of time.

The 3 year old Madeira wines are exclusively produced from Tinta Negra grape variety (or Tinta Negra Mole, as traditionally known), which is characterized by a harshness taste, that is difficult to disguise even after the "estufagem" process. If the wine label does not mention the grape variety, just the wine style, we can be sure that the wine was made from Tinta Negra.

In the 5 year old category, there are producers that use Tinta Negra and others that use the so-called traditional grape verieties and also others that use both varieties.

To produce the 10 year old category, almost all producers use the traditional grapes. it is from the 10 year old level that we can speak of a leap of quality and that the Madeira wines begin to show their true character and let foresee the greatness that older Madeira can reach.

The wine label should indicate the date or the bottling year, however this indication is optional.

Single Harvest

Dated: wines produced with grapes from a single harvest or year and from a single grape variety.

Colheita: superior quality wine, produced from a recommended grape variety, from a single harvest and aged in wood casks between 5 to 18 years.

Frasqueira or Garrafeira: wine produced from a recommended grape variety, from a single harvest and aged in wood casks for at least for 20 years before being bottled.

The wine label must indicate the harvest year.

The "Frasqueira" or "Garrafeira" Madeira wines are also called "Vintage" Madeiras, although strictly speaking the term "Vintage" should not be applied to these wines, because this english terminology used in Port wine and other wines to designate a harvest or a particular year does not consider the fundamental requirement of ageing for 20 years and in accordance with the designation "vintage", the term should also be applied to "Colheita" Madeira wines.

According to the production process, the Madeira wine can be classified as:

Canteiro: the wine undergoes a ageing process in old wooden barrels which are arranged in the producers warehouses where they are exposed to high natural temperatures (the young wines are arranged on the upper floors of the warehouse, where the temperature is higher and at defined time intervals they are moved to the lower floors). This ageing process is natural, almost without human intervention.

Estugafem: this is the most common production process used on Madeira wine generic categories. The wines are kept generally stainless steel tanks at a constant temperature (hot water through a pipe system), which may vary from 42o to 50° C (there is no minimum limit established, but the maximum limit is 50o C), which speeds up the ageing process.


It is recognized that three months of “estufagem” are equivalent to two years of “canteiro”.


According to the sweetness level:
Extra dry: the degree Baumé does not exceed 0,5o
Dry: degree Baumé between 0,5o e 1,5o
Medium dry: degree Baumé between 1,5o e 2,5o
Medium sweet: degree Baumé between 2,5o e 3,5o
Sweet: degree Baumé higher than 3,5o

The Baume degree is the scale used for measuring the sugar density of a wine (allows to evaluate the degree of sweetness of a wine).

According to the wine colour:
Very pale – Pale – Golden – Medium Dark – Dark

According to body and taste:
Light – Full-bodied – Fine- Soft - Velvety


For wines with DO Madeira and with the year of harvest indication, they can be further classified according to the following traditional designations:

Frasqueira or Garrafeira: exceptional quality wine, produced from a rcommended grape variety and with the date of harvest indication. Produced using the “canteiro” process and continuously aged in wood casks for a minimum of 20 years.

Colheita: an outstanding quality wine with the harvest year indication, and that has been aged in wood for at least five years.

Solera: an outstanding quality wine produced by the “canteiro” process, from a single harvest and from one recommended grape variety, aged in wood for a minimum period of 5 years, which forms the basis of the blend. After this period of time, it can be removed from each of the wood casks, an amount not exceeding 10%, which is replaced by an equal quantity of a youger wine from the same grape variety, up to a maximum of 10 additions. After this process it can be bottled as “Solera”, indicating the harvest year of the inicial wine that is the blend basis and indicating the grape variety and year of bottling.

Reserva, Velho, Reserve, Old ou Vieux: 5 year old Madeira wine.

Reserva Velha, Reserva Especial, Muito Velho, Old Reserve, Special Reserve ou Very Old: 10 year old Madeira wine.

Reserva Extra ou Extra Reserve: 15 year old Madeira wine.

Rainwater:  wine that has a color between pale and golden and a Baume degree between 1,0o and 2,5o, it can still be associated with a maximum age of 10 years old.

Seleccionado, Selected, Choice ou Finest: an outstanding quality wine for its age.

Fino ou Fine: quality wine with a perfect balance between the freshness of acids and evolved set of aromas, aged in wood.

And now, to a triumphant end, taste them to learn more ...

(*) This wine category was one of the novelties of the recent regulation of Madeira wine which entered into force in February 2015 (Portarias 38, 39 and 40/2015, of 13/02, by the Regional Government of Madeira).

 ©HSM
(to be continued): II. Do you (really) know Madeira wine? ...and the grape varieties

# Conhece (realmente) o vinho da Madeira? I.

As Categorias...

O princípio que nos deve orientar é: conhecer para poder apreciar melhor, neste caso, apreciar a maravilhosa diversidade do vinho da Madeira, que é um dos grandes vinhos do mundo, com características únicas e ainda desconhecido da maioria dos portugueses.

Várias classificações dos tipos de vinho com Denominação de Origem (DO) Madeira (vinhos produzidos a partir de castas recomendadas) são possíveis; vinhos Madeira datados e não datados (de lote) ou considerando a idade, a côr, o grau de doçura, a estrutura, o processo de produção e ainda as designações ou menções tradicionais.

Uma boa e prática síntese destas definições é a classificação que tem por base a distinção entre vinhos de lote ou blends e os vinhos da Madeira datados ou de uma só colheita, assim:

Vinhos de lote, Blend
São vinhos de várias colheitas com uma idade média de;
  • 3 anos
À indicação de idade aparece associada o grau de doçura nos estilos extra seco, seco, meio-seco, meio-doce e doce.
  • 5, 10, 15, 20, 30, 40, 50 e mais de 50 anos (*)
A indicação de idade é referida no rótulo, assim como o grau de doçura ou a casta utilizada na sua produção e que vai conferir ao vinho características especificas;

- Sercial: extra-seco ou seco
- Verdelho: meio-seco
- Boal: meio-doce
- Terrantez: meio-seco ou meio-doce
- Malvasia: doce

Os vinhos da Madeira de 3 e 5 anos de idade representam o grosso da produção, são os vinhos genéricos, mais acessíveis, comerciais e de entrada de gama dos diversos produtores. São vinhos geralmente bem feitos, mas sempre limitados com o que pode ser feito neste período de tempo.

Os vinhos da Madeira de 3 anos de idade são exclusivamente produzidos a partir da casta Tinta Negra (ou Tinta Negra Mole, como tradicionalmente é conhecida), que se caracteriza por uma certa aspereza de sabor, difícil de disfarçar mesmo depois do processo de estufagem. Se o rótulo do vinho não menciona a casta, apenas o estilo do vinho, então temos a certeza que o vinho foi elaborado a partir da casta Tinta Negra.

Na categoria dos 5 anos de idades, temos produtores que usam a Tinta Negra, outros que usam as chamadas castas tradicionais e ainda outros que usam ambas.

Nas categorias a partir dos 10 anos de idade, quase todos os produtores usam as variedades tradicionais. É a partir deste patamar que os vinhos Madeira começam a evidenciar a sua verdadeira qualidade e carácter e deixam antever a grandeza que os vinhos com mais idade podem atingir.

O rótulo deve indicar o ano de engarrafamento, todavia, esta indicação é facultativa.


Com indicação da data de colheita

Datados: são vinhos produzidos com uvas de uma única colheita ou ano e a partir de uma única casta;

Colheita: vinho de qualidade superior, com indicação da casta recomendada e do ano de colheita, envelhece em cascos, entre 5 a 18 anos.

Frasqueira ou Garrafeira: com indicação da casta recomendada e do ano de colheita, envelhece em cascos, no mínimo, durante 20 anos, antes de ser engarrafado.
O rótulo indica o ano de colheita.

Os vinhos “Frasqueira” ou “Garrafeira” são também chamados de vintage, embora em rigor a designação não possa ser aplicada a estes vinhos porque esta terminologia inglesa para designar uma colheita ou um ano específico não considera o requisito fundamental do envelhecimento durante 20 anos e de acordo com a designação ”vintage”, também os vinhos Madeira “Colheita” seriam vintage.


De acordo com o processo de produção o vinho da Madeira pode ser classificado como:

Canteiro: o vinho é submetido a um processo de estágio em madeira, em pipas de madeira velha que são arrumadas em armazéns onde ficam expostos a temperaturas naturais elevadas (os vinhos mais recentes são arrumados nos pisos superiores dos armazéns, onde a temperatura é mais alta e a intervalos definidos de tempo baixam para os pisos inferiores), onde envelhecem naturalmente, quase sem intervenção humana.

Estufagem: é o processo mais habitual e é utilizado nas categorias genéricas de vinho da Madeira. Os vinhos são mantidos, regra geral, em cubas de inox a uma temperatura constante (através de um sistema de tubos de água quente), que na prática pode variar entre 42o a 50oC (a regulamentação não estabelece limite mínimo, mas o limite máximo são 50o C), o que acelera o envelhecimento.

É reconhecido que 3 meses de estufagem equivalem a 2 anos de canteiro.


De acordo com o grau de doçura:

- Extra seco: o grau Baumé não excede 0,5º
- Seco: o grau Baumé está compreendido entre 0,5º e 1,5º;
- Meio seco:  grau Baumé entre 1,5º e 2,5º
- Meio doce: grau Baumé entre 2,5º e 3,5ºC
- Doce: grau Baumé superior a 3,5º

O grau Baumé é a escala utilizada para a medição da densidade de açucar de um vinho (permite avaliar  o grau de doçura de um vinho).


De acordo com a côr, o vinho da Madeira pode ser:
Muito pálido – Pálido – Dourado – Meio escuro – Escuro

De acordo com o corpo e sabor:
Leve – Encorpado – Fino – Macio - Aveludado

No caso dos vinhos com DO Madeira e com indicação do ano de colheita, podem ainda ser classificados de acordo com as seguintes denominações tradicionais:

Frasqueira ou Garrafeira: vinho de excepcional qualidade, com indicação do ano de colheita e indicação da casta recomendada, produzido pelo processo de canteiro e submetido a um envelhecimento mínimo contínuo de 20 anos em madeira.

Colheita: vinho de qualidade destacada, com indicação do ano de colheita e que tenha sido envelhecido em madeira durante pelo menos 5 anos.

Solera: vinho de qualidade destacada e produzido pelo processo de canteiro, de uma só colheita e de uma só casta recomendada, envelhecido em madeira durante um período mínimo de 5 anos, o que constitui a base de um lote. Após este período de tempo, pode ser retirada de cada um dos cascos uma quantidade que não exceda 10%, que é substituída por igual quantidade de outro vinho mais novo da mesma casta e até ao máximo de 10 adições. Despois do que pode ser engarrafado como “Solera”, com a indicação do ano de colheita do vinho base e indicação da casta, assim como o ano de engarrafamento.

Reserva, Velho, Reserve, Old ou Vieux: vinho com 5 anos de idade.

Reserva Velha, Reserva Especial, Muito Velho, Old Reserve, Special Reserve ou Very Old: vinho com 10 anos de idade.

Reserva Extra ou Extra Reserve: vinho com 15 anos de idade.

Rainwater: vinho que apresenta uma côr entre o pálido e o dourado e um grau Baumé entre 1,0o e 2,5o, pode ainda ser associada uma idade máxima de 10 anos.

Seleccionado, Selected, Choice ou Finest: vinho que apresenta qualidade destacada para a idade em causa.

Fino ou Fine: vinho de qualidade e com equilíbrio perfeito na frescura dos ácidos e conjunto de aromas evoluídos, com envelhecimento em madeira.


Agora, para um final triunfante, prove-os e conheça mais…

(*) Esta categoria foi uma das novidades da recente regulamentação do vinho da Madeira que entrou em vigor em Fevereiro de 2015 (Portarias 38, 39 e 40/2015, de 13/02, do Governo Regional da Madeira).

 ©HSM
(Continua):   II. Conhece (realmente) o vinho da Madeira? ...e as castas.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

# The 2012 Vintage Port (Single Quinta Vintage Port or non classic vintage vs. Classic vintage Port)

 Quinta do Passadouro, Pinhão river Valley (upper Corgo sub-region)  © HSM archives

 
We still have present the enthusiasm generated by the extraordinary, consensual and historical 2011 harvest, the wider vintage declaration ever, when some producers have decided to declare 2012 vintage year:

  • Barão de Vilar 2012 Vintage Port (Barão de Vilar Vinhos)
  • Barros Porto Quinta da Galeira Vintage 2012 (Sogevinus Fine Wines)
  • Borges 2012 Soalheira Vintage Port (Sociedade dos Vinhos Borges)
  • Bulas Port Vintage 2012 (Bulas Family Estates)
  • Burmester Quinta de Arnozelo Vintage Porto 2012 (Sogevinus Fine Wines)
  • Calém Vintage Porto 2012 (Sogevinus Fine Wines) 
  • Churchill's Quinta da Gricha Vintage Port 2012 (Churchill Graham)
  • Croft Quinta da Roêda Vintage Port 2012 (The Fladgate Partnership/Quinta and Vineyard Bottlers, Vinhos)
  • Dalva 2012 Vintage Porto (C. da Silva Vinhos)
  • Dow´s Quinta da Senhora da Ribeira 2012 Vintage Port (Symington Family Estates, Vinhos)
  • Duorum 2012 Vintage Vinha de Castelo Melhor Port (Duorum Vinhos)
  • Fonseca Guimaraens Vintage Port 2012 (The Fladgate Partnership/Quinta and Vineyard Bottlers, Vinhos)
  • Gran Cruz Porto Vintage 2012 (Gran Cruz Porto)
  • Kopke Quinta de São Luiz Vintage Porto 2012 (Sogevinus Fine Wines)
  • Maynard's Vintage 2012 Porto (Barão de Vilar Vinhos)
  • Pacheca Vintage Port 2012 (Quinta da Pacheca, Sociedade Agrícola e Turística)
  • Quinta da Costa das Aguaneiras Porto Vintage 2012 (Quinta da Costa das Aguaneiras, Casa de Mateus)
  • Quinta da Gaivosa Porto Vintage 2012 (Domingos Alves de Sousa)
  • Quinta da Revolta Vintage Port 2012 (Veredas Douro, Soc. Agrícola)
  • Quinta das Carvalhas Porto Vintage 2012 (Real Companhia Velha)
  • Quinta das Lamelas Vintage 2012 Porto (José António da Fonseca Augusto Guedes, Lda.)
  • Quinta de La Rosa Vintage Port 2012 (Sophia Bergqvist, Quinta de La Rosa)
  • Quinta de Ventozelo Porto Vintage 2012 (Gran Cruz Porto)
  • Quinta do Estanho Porto Vintage 2012 (Quinta do Estanho)
  • Quinta do Javali Vintage Port 2012 (Sociedade Agrícola Quinta do Javali)
  • Quinta do Noval 2012 Vintage Port (Quinta do Noval, Vinhos)
  • Quinta do Pessegueiro Porto Vintage 2012 (Quinta do Pessegueiro, Soc. Agrícola e Comercial, Lda.)
  • Quinta do Vale Meão Vintage Port 2012 (F. Olazabal & Filhos)
  • Quinta do Vesúvio Vintage Port 2012 (Symington Family Estates, Vinhos)
  • Quinta Maria Izabel Vintage Port 2012 (Quinta Maria Izabel)
  • Quinta Seara D´Ordens Porto Vintage 2012 (Sociedade Agrícola Quinta Seara D´Ordens)
  • Quinta Vale D. Maria "The Dutch Blend" 2012 Vintage Porto (Lemos & Van Zeller, Lda.)
  • Real Companhia Velha 2012 Vintage Port (Real Companhia Velha)
  • Rozès Vintage 2012 Porto (Rozès)
  • S.J Vintage Port Single Quinta 2012 (Quinta de S. José, João Brito e Cunha, Lda.)
  • Taylor´s Vargellas Vintage Port 2012 (The Fladgate Partnership/Quinta and Vineyard Bottlers, Vinhos)
  • Vallado Adelaide Vintage Port 2012 (Quinta do Vallado - Sociedade Agrícola)
  • Vista Alegre Porto Vintage 2012 (Vallegre, Vinhos do Porto)
  • VZ 2012 Vintage Porto (Lemos & Van Zeller, Lda.)

     In fact this recent decision taken by some Port wine companies represents a non-classic vintage declaration, the origin of vintage Port wines bottled and marketed with the producer´s second label or second brand and also called Single Quinta Vintage Port . We must point out that to declare a vintage in 2012, precisely the year following the huge success of the 2011 harvest, it´s a risky decision

     But then let's take a look at the main characteristics of this Port wine family.
   We are currently witnessing that vintage Port is produced almost every year, at least by some Port wine companies, which marks a quality increase in this type of Port wines that is unanimously recognized and that it´s also a consequence of the winemaking techniques evolution and modernization that occurred in recent decades.

     We must remember that vintage Port wines are always excellent quality and very rare wines (that represent a small percentage of the total Port wine production) that, as a rule, are produced or declared just and on average 3 times per decade. The classical vintages, for which there is a more or less comprehensive natural consensuality on the quality, are bottled and presented with the main label or the main brand of the producing company. See, however, as an illustrative example of an exception to this rule, the recent 2009 vintage, for which there was no such general consensuality, but there were firms that not only declared vintage year, but bottled and presented the wine with the main label of the Port house (the following cases are: Croft, Taylor's, Fonseca, Niepoort and Warre's).

    Nevertheless, there are other years or other vintages where producers who intimately know the characteristics of their terroir and its vineyards (and also of its grape suppliers) and followed the production cycle throughout the year, come to the conclusion that the harvest and the wine are of high quality, although do not reach the quality standard considered for the classic vintages.
    In these situations, there is the option for a non classic vintage declaration, also named a Single Quinta Vintage Port (SQVP) where the wine is bottled, as we wrote above, with the producers second brand or second label.

    As a rule, these wines indicate on the label the designation "Quinta", which indicates the "Quinta" name where the grapes where produced. By comparison a classic vintage indicates on the label the producer´s designation.
    Here too there are exceptions, for those non classic vintages that are not identified with the "Quinta" name on the label, such as "Fonseca Guimaraens Vintage" or "Malvedos Vintage", and even cases of producers bottlers where the mention "Quinta" is always present on the label, whether it´s a SQVP or a classic vintage, as the following examples: " Quinta do Meão "," Quinta Vale Dona Maria, "" Quinta do Passadouro "," Quinta de la Rosa" and "Quinta do Vesúvio".

    The SQVP should not be understood as a lower quality vintage Port because, in fact, is a top quality Port wine.
    It should be also noted that the entity responsible for approving vintage Port wines, the IVDP (The Douro and Port Wine Institute), has exactly the same procedure for both categories of vintage Port we are dealing with, so to say that vintage declaration or not is a decision of the sole and exclusive responsibility of the producer, considering a particular harvest, with high quality grapes of which the best were selected, according to their experience and knowledge. After the harvest, the evolution of these superior quality wines with potential for vintage Port is accompanied to the vintage declaration decision, that should be taken after the submission and approval of the wine sample by the IVDP (between January and the end of September of the 2nd year after the harvest).

    The SQVP is a solution found to solve the problem of harmonizing the marketing of high-quality wines and the vulgarization risk of the vintage category of port, where the producer's prestige is always involved.
    The SQVP also represents a great advantage for the consumer, because they usually have lower prices , there is a large price difference when compared to a classic vintage. It is always a great wine for a considerably lower cost, and this lower cost does not mean lower quality.

     We can point out the following main specific characteristics;
  • They are less longevity wines, they are drinkable sooner and are more easier to taste, that represente the so called "medium term vintages" and that do not need so much time in the winecellar and even some young wines allow a good tating. They are generally less robust and fresher, when compared to classic vintages.
  • They have a more obvious and sharper elegance;
  • Some are less tannic and with soft tannins;
  • They are concentrated wines, full-bodied and inky, with a dark purple color;


(please send further relevant information to: ptopwine@gmail.com)


# O Porto Vintage 2012 
  (Single Quinta Vintage Port (SQVP) ou vintage não clássico vs. vintage clássico)

    Temos ainda presente o entusiasmo gerado pela extraordinária, consensual e histórica colheita de 2011, a declaração vintage mais alargada de sempre, quando algumas casas produtoras tomaram a decisão de declarar vintage no ano de 2012:
·         
Na realidade esta recente decisão assumida por alguns produtores trata-se de uma declaração vintage não clássica, na origem de vinhos do Porto vintage engarrafados e comercializados com o 2.º rótulo ou 2.ª marca da casa produtora ou também denominados Single Quinta Vintage Port. Refira-se que declarar um vintage em 2012, precisamente no ano imediato ao sucesso da colheita de 2011, não deixa de ser uma decisão arriscada.

Mas vejamos então as principais características desta família de vinhos do Porto.
Assistimos actualmente, a vintages produzidos quase todos os anos, pelo menos, por alguns produtores, o que assinala um aumento da qualidade dos vinhos do Porto desta categoria, reconhecida unanimemente que é também uma consequência da evolução das técnicas de vinificação ocorridas nas últimas décadas.
Recordamos que os vinhos do Porto vintage são sempre um produto raro (corresponde sempre a uma pequena percentagem da produção total de vinho do Porto) de excelente qualidade que, por regra, é produzido ou declarado apenas e em média 3 vezes em cada década. Nas colheitas clássicas, em que existe uma consensualidade natural mais ou menos abrangente quanto à qualidade do vinho, os vintages são apresentados com a principal marca ou o principal rótulo da firma produtora. Veja-se, no entanto, como exemplo ilustrativo de uma excepção a esta regra a recente colheita de 2009, em que não houve a tal consensualidade geral de que falamos, mas houve firmas que não só declararam ano vintage, mas engarrafaram e apresentaram o vinho com o principal rótulo da Casa (são os seguintes casos: Croft, Taylor´s, Fonseca, Niepoort e Warre´s).
Todavia, existem outros anos ou outras colheitas em que os produtores, que conhecem intimamente as características dos seus terrenos e das suas vinhas (e dos seus fornecedores) e acompanharam o ciclo produtivo ao longo de todo o ano, chegam à conclusão que a colheita e o vinho são de alta qualidade, apesar de não atingirem o padrão qualitativo considerado para os vintages clássicos.
Nestas situações, surge então a opção por uma declaração vintage que está na origem a vintages não clássicos ou single quinta vintage ports (SQVP), em que o vinho é engarrafado com a 2.ª marca ou o 2.º rótulo da casa produtora.
Como regra, estes vinhos apresentam no rótulo a designação “Quinta”, que indica o nome da quinta onde foram produzidas as uvas a partir das quais foi produzido. Um vintage clássico apresenta no rótulo a designação da casa produtora.
Também aqui existem excepções constituídas por vintages não clássicos que não são identificados com o nome da “Quinta” rótulo, como por exemplo, “Fonseca Guimaraens Vintage ” ou “Malvedos Vintage”, e ainda os casos dos produtores engarrafadores que referem sempre o nome “Quinta” no rótulo, quer se trate de SQVP ou vintage clássico, como são exemplos, “Quinta do Meão”, “Quinta Vale D. Maria”, “Quinta do Passadouro”, “Quinta de La Rosa”, “Quinto do Vesúvio”.
O SQVP não deve ser entendido como um vintage de qualidade menor, porque, de facto, é um vinho do Porto de qualidade superior.
Refira-se também que na entidade responsável pela aprovação dos vinhos do Porto vintage, o IVDP (Instituto dos Vinhos do Douro e Porto), o procedimento é exactamente o mesmo para as duas categorias de Porto vintage que estamos a tratar, o mesmo será dizer que a declaração ou não é uma decisão da única e exclusiva responsabilidade do produtor que, em determinada colheita, com uvas de grande qualidade, das quais selecionou as melhores para os lotes, de acordo com a sua experiência e conhecimento. Após a vindima, a evolução destes vinhos com potencial qualidade para vintage é acompanhada para a decisão de declaração que deve ser tomada depois da submissão e aprovação da amostra pelo IVDP (entre Janeiro e fim de Setembro do 2.º ano após a colheita).
O SQVP é uma solução encontrada para resolver o problema de harmonizar a comercialização de vinhos de grande qualidade e a vulgarização desta categoria de vinho do Porto, em que o prestigio do produtor está sempre envolvido.
O SQVP representam uma óptima vantagem para o consumidor, desde logo porque normalmente são vinhos mais económicos, com uma diferença de preço grande quando comparado com um vintage clássico. É sempre um excelente vinho por um custo consideravelmente menor, sendo que este custo mais baixo não significa uma qualidade inferior ao vintage clássico.

Como características especificas apontam-se as seguintes:
  • São vinhos com  menor longevidade, bebíveis mais cedo e com maior facilidade de prova, são os chamados "vintages de médio prazo", que não precisam de tanto tempo em cave e alguns permitem mesmo boa prova quando novos. São, regra geral, menos robustos, mais frescos e elegantes, quando os comparamos com os vintages clássicos;
  • Têm uma elegância mais evidente e mais acentuada;
  • São vinhos concentrados, encorpados e retintos, com côr púrpura escura.


(agradeço desde já qualquer informação complementar para: ptopwine@gmail.com)

(Rev. 03/2018)
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