terça-feira, 16 de dezembro de 2014

# Still on the 2011 Vintage Port classic declaration: the definitive list (declared Vintage Ports and Producers)

Port Wine "Unrivalled"     © HSM archives

    Heavenly wines, a Port wine of the Gods, never have so many been so good, a vintage among the best in living memory, the best wine in the world in 2011 ...

    After all that has been said about the 2011 Vintage Port  (and we should not forget that the Vintage Port 2007 was also extraordinary and which is still available in the market for more restrained prices compared to this 2011 version), which is undoubtedly a remarkable wine, which was the widest classic vintage port statement ever, considering the number of wines approved as vintage by the IVDP, a year in which nature has been generous with perfect grapes and perfect conditions, the excellence of the harvest was unanimous among producers, winemakers and critics, is not easy to find a complete listing of vintages produced (and producers), so here it is:

  • Alves de Sousa Vintage 2011 (Domingos Alves de Sousa)
  • Andresen 2011Vintage Port (J. H. Andresen)
  • Barão de Vilar 2011 Vintage Port (Barão de Vilar Vinhos)
  • Barros Porto Vintage 2011 (Sogevinus Fine Wines)
  • Bulas Port Vintage 2011 (Bulas Family Estates)
  • Burmester Vintage Porto 2011 (Sogevinus Fine Wines)
  • Calém Vintage Porto 2011 (Sogevinus Fine Wines)
  • Capela da Quinta do Vesúvio 2011 Vintage Port (Symington Family Estates, Vinhos)
  • Casal dos Jordões Porto Vintage 2011 (Casal dos Jordões)
  • Castello D'Alba Porto Vintage 2011 (Rui Roboredo Madeira Vinhoa)
  • Churchill´s Vintage Port 2011 (Churchill Graham)
  • Churchill's Quinta da Gricha Vintage Port 2011 (Churchill Graham)
  • Cockburn´s Vintage Port 2011 (Symington Family Estates, Vinhos)
  • Croft Vintage Port 2011 (The Fladgate Partnership/Quinta and Vineyard Bottlers, Vinhos)
  • Cruz Porto Vintage 2011 (Gran Cruz Porto)
  • Dalva 2011 Vintage Porto (C. da Silva Vinhos)
  • Delaforce Vintage Port 2011 (Real Companhia Velha)
  • DR Port Vintage 2011 (Agri-Roncão, Vinícola)
  • Douro Boys Vintage Port 2011 (Douro Boys)
  • Dow´s 2011 Vintage Port (Symington Family Estates, Vinhos)
  • Duorum 2011 Vintage Port (Duorum Vinhos)
  • Fafide 2011Vintage Port (Rui Roboredo Madeira Vinhos)
  • Ferreira Vintage Port 2011 (Sogrape Vinhos)
  • Fonseca Vintage Port 2011 (The Fladgate Partnership/Quinta and Vineyard Bottlers, Vinhos)
  • Graham´s  2011 Vintage Port (Symington Family Estates, Vinhos)
  • Graham´s The Stone Terraces Vintage Port 2011 (Symington Family Estates, Vinhos)
  • Kopke Vintage Porto 2011 (Sogevinus Fine Wines)
  • Maynard´s Vintage 2011 Porto (Barão de Vilar Vinhos)
  • Messias Vintage 2011 (Sociedade Agrícola e Comercial dos Vinhos Messias)
  • Morgadio da Calçada Porto Vintage 2011 (Niepoort Vinhos)
  • Niepoort Porto Vintage 2011 (Niepoort Vinhos)
  • Niepoort Bioma Porto Vintage 2011 (Niepoort Vinhos)
  • Offley Vintage Porto Boavista 2011 (Sogrape Vinhos)
  • Passagem Porto Vintage 2011 (Passagem Wines)
  • Pintas Porto Vintage 2011 (Wine & Soul)
  • Poças Vintage Porto 2011 (Manuel D. Poças Júnior Vinhos)
  • Portal Vintage Port 2011 (Sociedade Agrícola do Portal)
  • Presidential Vintage Porto 2011 (C. da Silva Vinhos)
  • Quarles Harris 2011 Vintage Port (Quarles Harris & Co., S.A.)
  • Quevedo Vintage Port 2011 (Vinhos Óscar Quevedo)
  • Quinta da Casa Amarela Porto Vintage 2011 (Quinta da Casa Amarela)
  • Quinta da Costa das Aguaneiras Porto Vintage 2011 (Quinta da Costa das Aguaneiras, Casa de Mateus)
  • Quinta da Eira Velha Vintage Port 2011 (The Fladgate Partnership/Quinta and Vineyard Bottlers Vinhos)
  • Quinta da Prelada Porto Vintage 2011 (Quinta da Prelada, Samuel Magalhães e Silva, Herd.)
  • Quinta da Romaneira Vintage Port 2011 (Sociedade Agrícola da Romaneira)
  • Quinta das Carvalhas Porto Vintage 2011 (Real Companhia Velha)
  • Quinta de la Rosa Vintage Port 2011 (Sophia Bergqvist, Quinta de La Rosa)
  • Quinta de Roriz 2011 Vintage Port (Symington Family Estates, Vinhos)
  • Quinta de Val da Figueira Porto Vintage 2011 (Alfredo Eugénio Calém Hoelzer, Herdeiros)
  • Quinta do Crasto 2011 Vintage Port (Quinta do Crasto)
  • Quinta do Grifo Vintage 2011 Porto (Rozès)
  • Quinta Dona Matilde Vintage Port 2011 (Quinta Dona Matilde Vinhos)
  • Quinta do Infantado Porto Vintage 2011 (Quinta do Infantado)
  • Quinta do Noval 2011 Vintage Port (Quinta do Noval - Vinhos)
  • Quinta do Noval 2011 Vintage Nacional Port (Quinta do Noval - Vinhos)
  • Quinta do Passadouro Vintage Port 2011 (Quinta do Passadouro)
  • Quinta do Pégo Vintage Porto 2011 (Quinta do Pégo)
  • Quinta do Retiro Novo Vintage Port 2011 (Wiese & Krohn, Sucrs.)
  • Quinta do Sagrado Vintage Porto 2011 (Quinta do Sagrado - Vinhos)
  • Quinta do Tedo Vintage Porto 2011 (Vincent Bouchard - Quinta do Tedo)
  • Quinta do Tedo Vintage Porto 2011 Savedra (Vincent Bouchard - Quinta do Tedo)
  • Quinta do Vale Meão Vintage Port 2011 (F. Olazabal & Filhos)
  • Quinta do Valle Longo Porto Vintage 2011 (Vallegre Vinhos do Porto)
  • Quinta do Vesúvio Vintage Port 2011 (Symington Family Estates, Vinhos)
  • Quinta dos Murças Vintage 2011 Single Quinta (Esporão)
  • Quinta Seara D´Ordens Porto Vintage 2011 (Sociedade Agrícola Quinta Seara D´Ordens)
  • Quinta Vale D. Maria 2011 Vintage Porto (Lemos & Van Zeller, Lda.)
  • Ramos Pinto Porto Vintage 2011 (Adriano Ramos Pinto, Vinhos)
  • Real Companhia Velha Royal Oporto Vintage Porto 2011 (Real Companhia Velha)
  • Romariz Vintage Porto 2011 (The Fladgate Partnership/Quinta and Vineyard Bottlers, Vinhos)
  • Rozès Vintage 2011 Porto (Rozès)
  • Sandeman Vintage Porto 2011 (Sogrape Vinhos)
  • Senhora do Convento Porto Vintage 2011 (Quinta de S. Pedro das Águias)
  • Skeffington Vintage Port 2011 (The Fladgate Partnership/Quinta and Vineyard Bottlers, Vinhos)
  • S.J Vintage Port Single Quinta 2011 (Quinta de S. José, João Brito e Cunha, Lda.)
  • Special Blend for the Wine Society Vintage Port 2011 (Symington Family Estates, Vinhos)
  • Smith Woodhouse 2011 Vintage Port (Symington Family Estates, Vinhos)
  • Taylor´s Vintage Port 2011 (The Fladgate Partnership/Quinta and Vineyard Bottlers, Vinhos)
  • Taylor's Vargellas Vinha Velha Vintage Port 2011 (The Fladgate Partneship/Quinta and Vineyard Brothers, Vinhos)
  • Vallado Adelaide Vintage Port 2011 (Quinta do Vallado - Sociedade Agrícola)
  • Vieira de Sousa Port Wine Vintage 2011 (Vieira de Sousa - Port & Douro Wines)
  • Vista Alegre Porto Vintage 2011 (Vallegre Vinhos do Porto)
  • VZ Vintage Port 2011 (Lemos & Van Zeller, Lda.)
  • Warre´s 2011 Vintage Port (Symington Family Estates, Vinhos)

   "2011 was for me, the best harvest in the Douro ever. I haven´t tasted any wine that surpassed 2011. A crop that fills with everything from the color, the shade of wine (violet hue), a very intense color and that reached its maximum this year, the intensity, the elegance and the type of scents that can feel, to the elegance and harmony of flavors.".
José Maria Soares Franco
(one of the most experienced and important Portuguese winemakers, with a nearly 40 year career, he participated in the development of several "Barca Velha" wines and was responsible for all the wines of the Douro and Port in the Ferreira house. Now, with João Portugal Ramos, he is responsible for the project "Duorum Wines", in the Upper Douro).


(please send further relevant information to: ptopwine@gmail.com)




 Graham´s 2011 vintage Port   © HSM archives
     Graham´s 2011 vintage Port  © HSM archives


   

     
    Vinhos celestiais, um Porto dos Deuses, nunca tantos foram tão bons, um vintage entre os melhores de que há memória, o melhor vinho produzido no mundo em 2011...

    Depois de tudo o que foi dito sobre o Porto vintage de 2011 (e não nos devemos esquecer que o Porto vintage 2007 foi também extraordinário e que ainda se encontra no mercado por preços mais comedidos quando o comparamos com o vintage 2011), que é sem dúvida um vinho memorável, no que foi a declaração clássica mais alargada de sempre, considerando o número de vinhos aprovados como "vintage", num ano em que a natureza foi generosa, com uvas e condiçlões climatéricas perfeitas, a excelência da colheita foi unânime entre os produtores e os críticos da especialidade, não é fácil encontrar uma listagem completa de todos os vintages produzidos (assim como dos produtores), pelo que aqui fica esse registo.

    "2011 foi para mim, a melhor colheita no Douro. Não provei nenhum vinho que superasse 2011. Uma colheita que enche com tudo, desde a côr, à tonalidade do vinho (tonalidade violeta), uma côr muito intensa e que atingiu o seu máximo neste ano, à intensidade aromática, à elegância e ao tipo de aromas que conseguimos sentir, até à elegância e harmonia de sabores.".
    José Maria Soares Franco
(um dos enólogos portugueses mais experientes e importantes, com quase 40 anos de carreira, participou na elaboração de vários "Barca Velha" e foi o responsável por todos os vinhos do Douro e Porto da Casa Ferreirinha. Actualmente, com João Portugal Ramos é responsável pelo projecto “Duorum Vinhos”, no Douro Superior).


(Agradeço qualquer informação complementar para o email: ptopwine@gmail.com)

(Rev. 07/2017)
© HSM

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

# Dow´s 2011 vintage Port: the wine of the year

© HSM archives

    The big news late last week were the publication by the prestigious and influential (in the busines and world wine market) "Wine Spectator" magazine, of the 2014 best wines list (the 2014 top wines list; 2014.top100.winespectator.com).


    To the subject that interests us here, this classification was as follows:

    1.º Dow's 2011 Vintage Port, with 99 points (of 100 possible);
    3.º Chryseia 2011 Douro DOC, with 97 points;
    4.º Quinta do Vale Meão 2011 Douro DOC, also with 97 points.

    This classification has also confirmed one of the most celebrated vintages of past decades and is sure to be recorded in the long historical “classic” vintage Port wine list as an exceptional year and one of the best harvests ever.

    In the article published in the WS magazine site, signed by Kim Marcus, in addition to the expression used - "a monument to quality" - to define the Dow's 2011 vintage is interesting to read that the final composition of this port wine represented a choice of 6 from the best lots of grapes from 44 lots available to Symington winemakers, which alone gives us an idea of the enormous capacity of the major producers for choosing the best grapes and the many options to produce exceptional wines, when compared with small-scale producers or bottlers producers.

   Interestingly, Jancis Robinson, the influential british wine writer that considered that in 2011 the Douro region produced the best wine in the world, in the published classification referring to 2011 vintage Port wines, the Dow's 2011 vintage Port wine appeared, not in the 1st group, named "super stunnig" (Fonseca, Graham's, Chapel Vesuvio, Taylor's, Taylor's Vargellas Old Vine), but in a 2nd group classified as "stunning" (Cockburn's, Dow's, Graham's Stone Terraces, Niepoort, Biome Niepoort, Quinta do Vale Meão and Vesuvio).
    In turn, the 2011 vintage Port wine tasting notes published by Richard Mayson, assigned to the Dow's 2011 vintage Port 18 points (out of twenty possible), and on this same list it appears in tenth place.

    I recall that it was also the "Wine Spectator" magazine that in 2010 ranked with the highest possible score, 100 points, the Dow's 2007 vintage Port (the same list that year, awarded 96 points to Graham's 2007 Vintage Port).
    The effects of this news on the market and wine business, specifically in Portugal, will most assuredly be identical to those occurred in 2010, that is to say that the Dow's 2011 vintage Port still available on the market (the 2011 production was lower when compared with the previous 2007 “classic” vintage year, and so the prices were higher) will suddenly disappear just to reappear later with a new higher market price. 
    If we remember the effect in the Portuguese market of identical news in 2010 (relative to the Dow's 2007 vintage Port), was that this port wine that had until that time a market price of 65€ aprx., immediately disappeared from the wine shops and online stores to return about a month and a half later with the new price of 130€ aprx.

© HSM


terça-feira, 11 de novembro de 2014

# Douro: the 2014 harvest report

Quinta do Noval, in the Pinhão river valley (Upper Corgo sub-region)   © HSM archives 
     

       Completed the 2014 vintage in the Douro region, undoubtedly the main feature and the determining imprint which affected the entire 2013-2014 viticultural year, was the great climatic instability, which led to an atypical year.
     The weather remained unstable throughout the year until the beginning of summer and then, later also after the beginning of the harvest.
    This great instability reflected mainly in the high rainfall recorded throughout the year, with a very rainy winter, especially between December and February.
     In early July, it rained heavily, but the vines did not suffer any damage.

    Later came the mid-September rain, which lasted almost two weeks, extending until the beginning of October, that hit the region in full harvest, conditioning it (in this critical time, the rain has caused a reduction in the sugar concentration of the grapes and the probable alcohol content).
     Finally, on October 8, another rainstorm hits the region and all those that still harvested.

      We have yet to consider the fact that the temperature evolution throughout the yera was not constant; as an example, January was warmer and August cooler with lower temperatures than usual. As a result, the main Douro grape varieties evolve at very different rates; Tinta Roriz was the first to ripen, and the Touriga Franca, with good quality grapes, was the last (also with good quality were the Touriga National and Sousão grapevarieties).

      However we should emphasize that despite the atypical year and the conditions described, the grapes maturation monitoring and the control made in the vineyards, in most cases determined the beginning of the harvest in the first week of September (in 2014 the maturation took place earlier than in the previous year).

    In fact, to date, between the first and second week of September, the harvest looked promising and in many cases the grapes were in very good condition and perfect for good wines of Porto and Douro.

   There was also a drop in wine production across the region, reaching approximately 10% and in some producers this values were higher, such as Niepoort in Quinta de Nápoles (located on Cima Corgo sub-region), there was a 20% fall in wine production.

    We must note, however, that all these facts are general, precisely because the Douro region when analyzed in more detail, always possess a huge heterogeneity of situations, when relating the sub-regions or the geographic locations of the producing land or even the different quotas, which always escape a general analysis.
    In other words, surely the Lower Corgo sub-region, was hardest hit and most suffered the consequences of high rainfall than the Douro Superior sub-region (where rainfall records are very low). In fact, rainfall variations between different areas were large: Lower Corgo, hardest hit by the rain, had a very difficult harvest; in the Upper Corgo, there were some areas with an excellent vintage and others not so much. In the Upper Douro and in all the areas that were not affected by rain (all those who managed to harvest before the mid September rain), will produce very good quality wines.
   It may also be a good year for white wines, fresher wines, which benefited more from the climatic conditions of the  year.

     In conclusion, it was an unusual and very difficult year, far from being perfect, but we must consider that in such a diverse and rich region as the Douro, there will always be exceptional wines in those vineyards that have escaped the rain effects, and also those producers with properties located in different areas that have the possibility to choose the best grapes, and also all those who took advantage of manual harvest - choosing the best grapes begins in the vineyard - allowing immediate grape quality selection by grape pickers.
      
    In all likelihood 2014 will not be a classic vintage year.


© HSM



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

# Douro: o relatótio da vindima de 2014

Quinta do Noval: the characteristic white marked terraces that stand out in the Pinhão river valley landscape  © HSM archives 


     Concluída a vindima de 2014 na região do Douro, sem dúvida que a principal característica e a marca determinante que condicionou todo o ano vitícola de 2013-2014, foi a grande instabilidade climática, que esteve na origem de um ano atípico.
     O tempo manteve-se instável durante todo o ano e até ao início do verão e depois, mais tarde, também após o início da vindima.

      Esta grande instabilidade traduziu-se, principalmente, na elevada precipitação registada ao longo de todo o ano, com um Inverno muito chuvoso, sobretudo entre os meses de Dezembro a Fevereiro.

       Depois, no início de Julho, voltou a chover intensamente mas sem que, no entanto, as vinhas fossem atingidas.
      Mais tarde, apareceu a chuva tardia de meados do mês de Setembro, que durou quase duas semanas, prolongando-se quase até ao início de Outubro, atingindo a região em plena vindima, condicionando-a (nesta altura crítica, a chuva tem como consequência a diminuição da concentração de açucares das uvas e do teor de álcool provável).
     Por fim, a 8 de Outubro, outra chuvada atinge a região e todos os que ainda vindimavam.

     Temos ainda que considerar neste ponto, que a evolução da temperatura não foi constante; como exemplo, o mês de Janeiro foi mais quente e o mês de Agosto mais fresco, com temperaturas mais baixas do que o habitual.

      Como consequência desta instabilidade, as principais castas evoluiriam em ritmos muito diferentes; a tinta roriz foi a primeira a amadurecer e a touriga franca, com bastante qualidade, a última (com boa qualidade estavam também as uvas da casta touriga nacional e da casta sousão).

      Contudo, refira-se que, apesar da atipicidade do ano e das condicionantes descritas, o acompanhamento das maturações e os controlos realizados na vinha, determinaram que a vindima tivesse início, na maioria dos casos, na primeira semana de Setembro (em 2014 a maturação deu-se mais cedo do que no ano anterior).
     Na realidade, até esta data, entre a primeira e segunda semana de Setembro, a colheita parecia promissora, em muitos casos as uvas estavam em muito boas condições e perfeitas para bons vinhos do Porto e Douro.
        
    Assinala-se também a quebra na  produção de vinho em toda a região, atingindo aproximadamente 10% e em alguns produtores percentagens mais elevadas, como é o caso da Niepoort, na Quinta de Nápoles, em que houve uma quebra de 20% na produção.

      Sublinhamos, todavia, que todas as vicissitudes assinaladas são gerais, precisamente porque a região do Douro quando analisada mais em detalhe, possuí sempre uma enorme heterogeneidade de situações, quer entre as sub-regiões, quer entre a localização geográfica dos terrenos, quer entre as diferentes quotas, que escapam sempre a uma análise geral
     Explicando melhor, concerteza que a sub-região do Baixo Corgo foi mais atingida e sofreu mais as consequências da elevada precipitação do que a sub-região do Douro Superior (em que os índices de precipitação são sempre baixissímos). De facto, as variações de precipitação entre as diferentes zonas foram grandes: o Baixo Corgo, mais atingido pela chuva, teve uma vindima muito difícil, no Cima Corgo, houve zonas com uma excelente vindima e outras que nem tanto. No Douro Superior e em todas as zonas que não foram afectadas pela chuva (o que abrange todos quantos vindimaram antes da chuva de Setembro), vai dar origem a vinhos de muito boa qualidade.
     Poderá também ser um bom ano para os vinhos brancos, vinhos mais frescos, que beneficiaram mais com os condições do ano vitícola.

       Em conclusão, foi um ano atípico que não foi dos melhores, muito pelo contrário, foi um ano muito difícil, mas numa região tão diversa e tão rica como o Douro, haverá sempre vinhos excepcionais,nas vinhas que escaparam aos efeitos da chuva, mas também nos produtores com propriedades localizadas em diferentes zonas e que por isso, têm a capacidade de escolher as melhores uvas para os lotes que compõem os vinhos e também parta quem tirou proveito das vindimas manuais, que permitem uma selecção imediata das uvas pelos vindimadores.

      Com toda a probabilidade 2014 não será um ano vintage clássico.


© HSM
            

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

# O Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto (.2)



Edição Portuguesa do Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto, 576 págs (600 imagens e 3000 entradas/verbetes), Porto Editora, Porto, 2014

O primeiro dicionário do mundo sobre um único vinho


    Foi bom ver que, apesar do dilúvio do final de tarde, na passada quarta-feira, a sala do auditório do IVDP estava cheia, para esta apresentação.

    Nos 3 anos que decorreram entre a edição brasileira e a edição portuguesa, foi difícil encontrar uma editora em Portugal interessada na publicação desta obra. A "Porto Editora" assumiu agora este interesse, com o apoio do IVDP (entre outras entidades). A este propósito, Paulo Gonçalves, o representante da editora referiu, na apresentação oficial, que "não fazia sentido, um dicionário destes não estar disponível em Portugal, dada a qualidade do trabalho feito pelos autores".
    Como sublinhou o Presidente do IVDP, Manuel de Novaes Cabral, este livro, que resultou da paixão dos autores por um produto muito especial, que é o vinho do Porto, foi um brinde invisível dos dois lados do Atlântico.
    Com uma grande parte do trabalho de pesquisa, investigação e recolha de imagens, realizado com recurso à biblioteca e arquivo do IVDP, esta não é uma obra finita e estática, antes forçosamente incompleta e dinâmica, que se pode comprovar pela edição portuguesa, já mais completa com novas entradas.

    É, sem dúvida, mais um excelente meio de promoção do vinho do Porto e neste caminho, aguarda-se agora uma edição inglesa ou em inglês, para os muitos interesses nos EUA, Reino Unido e Escandinávia, assim como uma edição francesa, porque o vinho do Porto é um vinho do mundo, é o vinho mais sério do mundo, é um embaixador líquido de Portugal e uma expressão da alma portuguesa, como nos inspirou Carlos Cabral, co-autor do livro.
    
    Da intervenção de Manuel Pintão, regista-se: "acima de tudo, o vinho do Porto é um vinho que une as pessoas e isso é muito importante nos tempos que correm".

    Algumas entradas exemplo duma leitura mais divertida do Dicionário:

Pág. 176, entrada "Convento da Serra do Pilar": "Localizado na margem esquerda do rio Douro, em Vila Nova de Gaia, de 1705 a 1735 os padres agostinianos deste mosteiro, consumiram 263 pipas de vinho. Não consta que o tenham comercializado".

Pág. 359, imagem "Nixon", ilustrativa do vinho do Porto "Nixon´s Tozé".

Pág. 420, entrada "Receita de Vinho do Porto": "As pessoas que solicitavam ao Instituto do Vinho do Porto a receita deste vinho recebiam a seguinte resposta: Colham-se do Câmbrico umas grossas talhadas de terreno, ondulem-se caprichosamente formando-se vales com encostas de áspero declive sulcados por cursos de água revolta; debruem-se por altas montanhas de protecção; cubram-se dum céu caracterizado por condições muito particulares de clima; cultive-se tal pedregoso à custa de esforços violentos, plantando a vinha na fraga esboroada a ferro ou mesmo a tiro; lute-se o ano todo no mais rude dos granjeios. Assim se obtém os Vinhos do Douro que depois de lotados entre si e deixados envelhecer constituem o Vinho do Porto.".



© HSM

     












terça-feira, 14 de outubro de 2014

# O Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto (.1)

A edição publicada no Brasil do Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto, 565 págs., Editora da Cultura, São Paulo, 2011
        
     Finalmente, a apresentação pública oficial, em Portugal - amanhã, 15 de OUtubro, às 18:00, no auditório do IVDP - de uma obra, até agora, apenas publicada no Brasil, em 2011 e que nessa edição contou com o apoio, entre outras entidades brasileiras, do Governo Federal (pelod que, dificilmente se poerá classificar de "novíssima, como se refere no site do IVDP).

     Da bibliografia publicada e dedicada ao vinho do Porto, não existia ainda um dicionário que reunisse e estruturasse a vasta informação existente. É, sem dúvida, uma obra de fôlego, resultado da experiência pessoal e de um trabalho de pesquisa dos autores, iniciado em 2005 e que se prolongou por seis anos. É uma obra fundamental na biblioteca de todos aqueles que acompanham e que se interessam pelo estudo dos temas relacionados com o vinho do Porto e a nossa História.
    Os autores são, o português Manuel Poças Pintão, responsável comercial da "Poças Júnior" durante cinco décadas e personagem de reconhecido mérito no sector e o brasileiro Carlos Cabral, enófilo e considerado o embaixador do vinho do Porto no Brasil.
          
        Não resisto a transcrever os seguintes excertos da "Introdução":

"Mais que um simples vinho, o Vinho do Porto é uma instituição nacional e tem a capacidade de representar um povo. A simples citação de seu nome ou sua presença, em qualquer ato ou festividade, remonta imediatamente à Nação portuguesa e seu povo."

"Este vinho (...) passou a ser referência constante de História, Filosofia, Sociologia, Economia, Agronomia, Enologia, Folclore, Literatura e Arte."

© HSM


sábado, 20 de setembro de 2014

O extraordinário país do vinho

O nosso tesouro


    Penso não ser exagero afirmar, que não há no mundo outro país com a nossa reduzida dimensão geográfica (continental e insular) e com regiões vitivinícolas tão variadas e distintas entre si, com uma enorme diversidade concentrada num pequeno território.

    Esta variedade de características em cada região e sub-região - solos e microclimas próprios - dão origem a especificidades nas castas plantadas e nos vinhos produzidos. Vinhos tão diferentes, de região para região, originais e autênticos, sejam tranquilos ou fortificados.

    Acrescente-se a quantidade, multiplicidade e exotismo das nossas castas autóctones - estão actualmente identificadas cerca de 250 castas, número que, no entanto, não é definitivo, uma vez que a Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira (PORVID), está empenhada no processo de identificação e protecção da biodiversidade de castas, em curso, e com toda a certeza o número de castas identificadas aumentará no futuro - na sua grande maioria pouco ou mesmo nada exploradas e das quais pouco ou nada se sabe.

    Ainda, um país com a excentricidade de combinações de castas variadas - os chamados "vinhos de lote" ou ainda a "magia do lote" - uma prática comum e habitual entre nós na produção de vinhos, desde sempre, que constitui um factor estranho a todos os outros países produtores de vinho (do velho e do novo mundo).

    Todas estas combinações originam vinhos que certamente variam de região para região (ou de sub-região para sub-região), mas também de produtor para produtor. Podemos mesmo considerar que o conjunto de castas que compõem um lote podem variar, considerando o mesmo produtor ou enólogo, de um ano para o outro.

    Outro elemento único e diferenciador é o das "vinhas velhas", com várias castas misturadas (inclusive castas tintas e brancas), numa mesma parcela ou lote de terreno (e é normal existirem nestas vinhas mais de 35 variedades plantadas), geralmente, com idades superiores a 60, 70 anos ou mais, com produções muito baixas, mas com uma maior concentração de todos os elementos da uva.

   É este conjunto de elementos, que constitui uma riqueza única, que devemos sentir como nossa e como um património a defender e valorizar, num mundo ainda dominado pela concepção monótona, redutora e uniforme, dos vinhos iguais, produzidos com as mesmas sacrossantas castas internacionais; cabernet sauvignon, chardonnay e sauvignon blanc e pouco mais, num estilo único, internacional, independentemente do país ou região produtora, desconsiderando as expressões diferenciadoras que estão na origem da autenticidade das regiões e dos vinhos (o "terroir"). 
    Este gosto estabelecido, que leva à rejeição de tudo o que sai fora da norma, promove também a ignorância, uma vez que o princípio orientador de escolha de vinhos pela casta é limitado e redutor e não promove o contexto do vinho, o que está na sua origem, para além da uva.

    O que defendemos aqui, é precisamente o oposto, isto é, uma visão abrangente, que não despreze os valores que são indissociáveis do vinho e indispensáveis para a sua compreensão e melhor apreciação: as especificidades de cada região, os solos, as diferentes altitudes e a exposição dos terrenos, o clima, o contexto histórico, patrimonial, cultural e social e mesmo a personalidade e idiossincrasias do prórpio produtor ou enólogo.

© HSM

     

Douro Superior sub-region: The road N222-4 leading to Quinta do Vesúvio. On the back center, the Quinta Senhora da Ribeira (Dow´s).  © HSM archives